Diante de tantos acontecimentos tristes e trágicos, e da caótica situação econômica e política do Brasil, convido os leitores a pensar no drama narrado no filme “A escolha de Sofia”, baseado na obra de William Styron, cujo diretor Alan J. Pakula escolheu a atriz Meryl Streep para ser a protagonista, sendo que ela terminou recebendo o Oscar de melhor atriz. A trama transcorre durante a Segunda Guerra Mundial, e conta a história de Sofia, uma polonesa acusada de fazer contrabando, que foi presa com seus dois filhos pequenos, um menino e uma menina, no campo de concentração de Auschwitz. Um sádico oficial nazista dá a ela a opção de salvar apenas uma das crianças da execução, ou ambas morrerão, obrigando-a à terrível decisão.

Pois o Presidente Temer, sem nenhum “sádico oficial nazista” o obrigando a fazer escolhas vitais, no momento de formar o seu quadro de ministros, fez as escolhas mais esquisitas e mais problemáticas, ao colocar no primeiro escalão do seu governo figuras como Henrique Eduardo Alves (Ministério do Turismo), Fabiano Silveira (Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle) e Romero Jucá (Ministério do Planejamento), que caíram porque estavam bastante “enrolados” na Operação Lava Jato, sendo que este último citado foi flagrado em conversas telefônicas e sugeriu a feitura de um pacto “para estancar a sangria” representada pela citada operação Lava Jato.

Depois ocorreram as quedas de Fábio Medina Osório (Advocacia-Geral da União), após ácida discussão com o colega de ministério Eilseu Padilha; Marcelo Calero (Ministério da Cultura) pediu exoneração porque foi pressionado pelo colega Geddel Vieira Lima para permitir a construção de um prédio de luxo, localizado num bairro nobre de Salvador, no qual o próprio Geddel teria um apartamento. Segundo o portal de notícias G1, “Calero disse aos policiais que, durante uma audiência no Palácio do Planalto, Temer interveio em favor dos interesses do ministro da Secretaria de Governo”. Só podia resultar nisso: Gedel Vieira Lima também foi demitido, não tão rapidamente quanto deveria sê-lo, porque a sangria ministerial debilita principalmente o Presidente.

Agora vem a necessária reflexão: Por que o Presidente Temer, tendo a oportunidade de fazer um governo de notáveis e retos cidadãos, escolheu justamente aqueles, cuja maioria está bastante enrolada nos escândalos do Mensalão, do Petrolão e da Lava Jato? Não sabe ele que a colaboração premiada ou “delação do fim do mundo”, feita pelos dirigentes e empregados da Construtora Norberto Odebrecht, promete mostrar as entranhas podres de pelo menos duzentos parlamentares e altas figuras da República?

Portanto, após Temer ter feito essas escolhas tão deploráveis, não poderia receber coisa melhor do que a indiferença ou algo pior (como uma vaia), no velório coletivo dos atletas e dirigentes da Chapecoense, quando o prefeito de Chapecó, Luciano Buligon discursou, foi aplaudido pela população e agradeceu a solidariedade do governo e do povo colombianos. Mais adiante, ele citou o nome de Michel Temer, fato que não despertou reações dos presentes no estádio. Mutismo total. Porém, ao mencionar o nome do embaixador da Colômbia, país que ajudou na localização, na recuperação e no transporte dos corpos, o público presente aplaudiu de pé. Por que essa distinção, Presidente?

Todos nós conhecemos esse aforismo popular: “Quem planta vento, colhe tempestade”. Esse inferno astral governamental, plantado pelo próprio chefe do Poder Executivo, é resultado das escolhas erradas feitas por ele mesmo. Portanto, sirva-se desse “banquete”, Michel Miguel Elias Lulia Temer!

Estácio Trajano Borges

* O autor é engenheiro agrônomo, advogado e teólogo; ocupa um cargo de analista judiciário no TRT da 14ª Região, desde 1991, e é integrante da Academia Maçônica de Letras de Rondônia.