A Renúncia de Cunha. O choro sem lágrimas! – por Zamyrton Rocha

O Cenário político brasileiro muda a cada novo instante. Eduardo Cunha anunciou publicamente sua renúncia ao cargo de Presidente da Câmara dos Deputados (cuja função, ele já não exercia desde o dia 5 de maio, por decisão do STF), assim sendo, com esse ato, ele só oficializou o que de fato já era verdade pública.

Os órgãos de imprensa, especialmente as emissoras de televisão, mostraram a carreira política de Eduardo Cunha. Formou-se em economia no ano de 1980 pela Universidade de Cândido Mendes, no Rio de Janeiro.

Em 1989, é convidado pelo empresário Paulo César Farias para filiar-se ao PRN e trabalhar na campanha de Fernando Collor de Melo à Presidência, onde atuou como tesoureiro. E com a eleição de Collor à Presidência da República, Cunha é nomeado em 1991 para a presidência da TELERJ, quando foi alvo da primeira suspeita de fraude em licitações.

Em 1992 o Tribunal de Contas da União constata irregularidades na TELERJ, cuja comissão de licitação havia sido vinculada ao gabinete de Cunha. E em 1993, é exonerado da companhia após a descoberta de um esquema de corrupção na estatal, vinculado à PC Farias.

Em 1999, Cunha assumiu outra função pública, a Secretaria Estadual de Habitação (Cohab) do Rio de Janeiro, no governo de Garotinho. Em 2000, Eduardo Cunha é afastado da Cohab do Rio de Janeiro por suspeita de contratos sem licitação e favorecimento de empresas fantasmas.

Estes fatos são apenas para ilustrar a carreira vil e torpe de Eduardo Cunha, antes de se tornar político detentor de mandato eletivo, cuja carreira foi concentrada no Estado do Rio de Janeiro até chegar à Câmara dos Deputados.

Hoje, com sua renúncia do cargo de Presidente da Câmara dos Deputados, Cunha, tenta com isso, salvar o seu mandato de deputado ou pelo menos postergar a decisão política no plenário da Câmara dos Deputados, segundo comentários nos bastidores palacianos em Brasília, dos seus adversários.

Sua renúncia, anunciada por ele mesmo, com a leitura de duas laudas diante das câmeras de diversos canais de televisão, veio sob a alegação de que tal medida seria para dar estabilidade aos trabalhos da Câmara dos Deputados, que, segundo ele: “é público e notório que a Casa está acéfala, fruto de uma interinidade bizarra”. Tudo parecia comum, diante dos últimos fatos políticos ocorridos no Brasil. Mas em um dado momento, ele transparecia emocionado, e até tentou chorar, porém, um choro sem lágrimas, o que certamente deve ter comovido a ele, sua esposa e sua filha, que segundo Cunha, são os principais atingidos nessa perseguição política contra ele.

Consciente ou não de seu ato de renúncia, uma coisa é certa: mais prudente seria assumir os seus erros, e renunciar também do mandato de Deputado Federal. Talvez, assim, ele conseguisse o perdão da sociedade, pois existe um ditado mais ou menos assim: se você não é capaz de mudar o passado pernicioso, poderá mudar o futuro, com atitudes coerentes, responsáveis, verdadeiras e acima de tudo justas no presente, o que poderá causar reflexos positivos e de tranquilidade no amanhã.

Caríssimos internautas, diante dos últimos acontecimentos no cenário político do Brasil, notícias desse gênero não nos causam mais surpresas. Ficaremos no aguardo para saber qual será a próxima, e quem será o protagonista.

Tenho Dito!

Zamyrton Rocha

O autor é Jornalista, escritor, bacharel em Direito, palestrante e consultor político. Possui experiência de mais de 30 anos em campanhas eleitorais, na coordenação e elaboração de planejamento, estratégias e mobilização.