ACRE: Justiça não aceita denúncia contra suspeitos de matar delegado

Um dos suspeitos permanece preso por outro crime e outro foi solto. Decisão ocorreu na segunda (6); Dupla estava presa há quase um ano.

Antonio Conceição (à esqueda) e Valderlir Souza (à direita) foram impronunciados pela Justiça no processo da morte do delegado (Foto: Caio Fulgêncio/G1)

A Justiça do Acre não aceitou a denúncia do Ministério Público contra os dois suspeitos de matar o delegado aposentado Félix Alberto da Costa, de 64 anos, alvejado com um tiro na nuca, no dia 19 de março de 2016. De acordo com o juiz do Tribunal do Júri, responsável pela decisão, Leandro Leri Gross, não houve provas suficientes para pronunciá-los como réus.

O delegado foi encontrado morto na entrada da fazenda da família, que fica na Transacriana, Zona Rural de Rio Branco. Na época, a Polícia Civil informou que o corpo do delegado foi encontrado ao lado da caminhonete dele com marcas de tiro na cabeça. No dia 13 de agosto, a polícia fez a reconstituição do crime.

Valderlir Souza, de 27 anos, e Antônio da Conceição, de 25, foram presos dois dias após o crime. Eles eram suspeitos de ter armado uma emboscada para a vítima, de acordo com a Polícia Civil. A dupla, ainda segundo a polícia, já teria sido acusado pela vítima de furtar gado de fazendas. No dia em que foram apresentados, os dois suspeitos negaram envolvimento no crime.

Após a decisão da Justiça, o suspeito Antônio da Conceição foi solto logo em seguida, porém, Valderlir Souza permanece preso.

Isso porque, de acordo com o advogado de defesa da dupla, Silvano Santiago, Souza também foi preso por outro crime, no caso, uma tentativa de homicídio que ocorreu cerca de dois anos antes da morte do delegado.

O juiz afirmou que a decisão de impronunciar a dupla veio após a audiência de instrução. “Eles foram impronunciados, agora podem ser reabertas as investigações para tentar esclarecer o fato. Eles não foram absolvidos e o Ministério Público pode requerer nova diligência ou até mesmo recorrer e o Tribunal mandar eles para júri. Mas, nesse primeiro momento, eles não vão a júri”, explicou.

O magistrado acrescentou ainda que pode se desenvolver outras investigações e novas provas. “Pode até ser que sejam eles, mas precisam ter novas provas. Se não tiver novas investigações, o processo é arquivado. Então, aguardamos se vai haver recurso do MP e se eles vão recorrer. O MP pode também requerer novas investigações para tentar melhorar as provas”, afirmou.

O advogado da dupla afirmou ainda que acredita que o MP deve entrar com recurso após a decisão. Segundo ele, entre os laudos que foram solicitados e deram negativo estão o exame de DNA de uma laranja e de um cigarro que estavam no chão do local onde os autores estariam aguardando o delegado e o exame da presença de pólvora nas mãos dos suspeitos.

“Não houve nem indícios que indicavam seguramente que eles eram os autores. Acredito que o MP vai recorrer, aí vamos continuar com a defesa. As possibilidades de reforma dessa decisão são muito pequenas, tendo em vista que essa decisão tem mais de 40 laudas e foram analisadas profundamente as provas, fatos e fundamentos”, disse.

Delegado Felix Alberto da Costa, de 64 anos, foi achado morto na Estrada Transacreana, em Rio Branco (Foto: Arquivo pessoal)

‘Só quem perdeu fomos nós’, diz filha de delegado
A filha do delegado, Michelle Papa, comentou sobre a decisão da Justiça e disse que ficou apreensiva, indignada e pensativa. Segundo ela, após ver que os suspeitos foram impronunciados, surgiu o questionamento de para quem a justiça vale, se para as pessoas de bem ou para os que cometem crimes.

“A gente fica apreensivo, porque uma vida foi tirada de uma forma bruta e covarde, sem o mínimo direito de defesa e a gente ver que a Justiça solta as pessoas e a família parece que tem que se conformar com a situação. Meu pai teve a sentença dele de eternidade no cemitério, eles foram soltos e vão gozar da vida. Então, só quem perdeu fomos nós”, disse a filha.