Adeus do mito olímpico: Phelps deixa um recorde muito difícil de ser batido

Por Fabrício Marques e Lydia Gismondi
Rio de Janeiro
Info-PHELPS-00 (Foto: Mario Alberto)

Quis o destino que o maior atleta olímpico da história encerrasse a carreira nos Jogos Rio 2016. Nos últimos dois anos, Michael Phelps foi do inferno ao céu. Enfrentou uma profunda depressão e recuperou o prazer em viver quando colocou a competição no Brasil como meta. Estava decidido. Só se sentiria realmente realizado se voltasse para a piscina e arrancasse uma despedida à altura de seu feito. Foi o que fez. Determinado, conquistou mais seis medalhas (cinco de ouro e uma de prata), chegou à incrível marca de 28 no total (23 de ouro, três de prata e duas de bronze) e deixou para a eternidade a imagem que mais lhe convém: a de maior vencedor da história das Olimpíadas. E ainda deixou uma pergunta no ar: alguém poderá superar seu recorde?

Info-PHELPS-01 (Foto: infoesporte)

Não fosse um único tropeço na final dos 100m borboleta, quando o ouro escapou e terminou com a prata, Michael Phelps teria se despedido dos Jogos Olímpicos do Rio com 100% de aproveitamento. O que arrecadou para sua coleção, no entanto, já foi o suficiente para deixar qualquer candidato ao posto de maior de todos os tempos bem distante de seu rastro. O fenômeno americano, que começou sua trajetória olímpica em Sydney 2000, aos 15 anos, encerrou sua quinta e última edição com dez medalhas de vantagem para a segunda colocada no ranking: a ex-ginasta da União Soviética Larissa Lathynina, dona de 18. Na lista dos atletas mais premiados, porém, o único em atividade é o também nadador Ryan Lochte, com 12 pódios.

Info-PHELPS-00 (Foto: infoesporte)

A competição no Rio consagrou novos nomes do esporte. Atletas talentosos e completos, com potencial para se tornarem multimedalhistas. Ouro na estreia aos 15 anos, em Londres 2012, a nadadora Katie Ledecky, por exemplo, faturou nesta Olimpíada cinco pódios (quatro ouros e uma prata). Outra estrela desta edição, a ginasta americana Simone Biles, também de 19 anos, levou quatro ouros e um bronze. Mas será que essas atletas e outros candidatos ao trono teriam tempo de vida esportiva em alto nível suficiente para alcançar o incrível feito de Michael Phelps?

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KATIE LEDECKY, A SUCESSORA DE PHELPS NAS PISCINAS

Aos 19 anos, Katie Ledecky não deixou dúvidas em sua passagem pelo Rio de Janeiro de que tem tudo para ser o maior nome da natação mundial com o fim da “Era Phelps”. Há quatro anos, em Londres, a nadadora americana deu seu cartão de visitas ao conquistar o primeiro título olímpico, nos 800m livre. Mas foi nesta Olimpíada que a atleta consolidou o status de estrela das piscinas, depois de somar quatro ouros e uma prata, além de bater os recordes mundiais dos 400m e 800m livre.

Info-PHELPS-03 (Foto: infoesporte)

Com seis medalhas olímpicas na mochila até agora, Ledecky poderia ser uma promissora candidata a ameaçar o posto de Phelps no futuro. Uma projeção levando em consideração as provas que costuma nadar relacionada ao provável tempo hábil dentro das piscinas, no entanto, nos leva a crer que seria uma missão praticamente impossível. O principal motivo é que a americana disputa apenas as provas de nado livre de meia-distância e de fundo. Com isso, ficaria limitada a cinco por edição (200m, 400m, 800m, 4x100m livre e 4x200m livre). Para pensar em alcançar Phelps, precisaria ampliar seu programa olímpico, pois, se seguir o padrão da Rio 2016, subiria ao pódio no máximo 15 vezes nos próximos três Jogos, chegando a 21 no total, aos 31 anos – mesma idade da despedida de Phelps. Com este cenário, nem mesmo uma quinta participação, aos 35, a possibilitaria alcançar a marca de seu compatriota.

É também das piscinas que vem o segundo maior medalhista olímpico ainda em atividade. Dono de 12 medalhas, sendo quatro de ouro, Ryan Lochte é quem hoje estaria um pouco mais “próximo” de alcançar o amigo Phelps. A idade do nadador, no entanto, é determinante para descartar essa possibilidade. Aos 32, o atleta já começou a ensaiar sua despedida das piscinas e, mesmo que consiga prolongar sua carreira até Tóquio 2020, não conseguiria chegar nem perto da coleção do atual recordista.

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SIMONE BILES, A ESTRELA DA GINÁSTICA

Não é só na natação que um único atleta é capaz de colecionar várias medalhas em uma mesma edição. A ginástica artística é o outro esporte olímpico com grande potencial de revelar multicampeões. Não por acaso a dono do posto de maior medalhista dos Jogos Olímpicos antes de Phelps era Larissa Lathynina, a ex-ginasta da União Soviética que somou em Melbourne 1956, Roma 1960 e Tóquio 1964 a marca de 18 medalhas, seis em cada edição. Poderia então a nova estrela da modalidade Simone Biles um dia chegar ao recorde do nadador americano? Missão também quase impossível.

Info-PHELPS-Simone-Biles (Foto: infoesporte)

Na ginástica artística feminina, há seis disputas em jogo em uma Olimpíada: trave, solo, salto sobre a mesa, barras assimétricas, individual geral e por equipes. Aos 19 anos, em sua primeira Olimpíada, Simone se classificou para cinco finais e conquistou quatro ouros e um bronze. Com essas cinco medalhas nas mãos e levando em consideração o limite de seis provas por edição, a americana precisaria de pelo menos mais quatro Olimpíadas para ultrapassar Phelps. Ou seja, ela teria que aos 35 anos, em 2032, ser capaz de ainda subir ao pódio – algo impensável para a realidade deste esporte.

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KOHEI UCHIMURA JÁ TEM SETE, MAS SEGUE DISTANTE

Nesta corrida por medalhas, os homens da ginástica na teoria levam vantagem. São oito possibilidades de subir ao pódio em cada edição: solo, salto sobre a mesa, cavalo com alças, barras paralelas, barra fixa e as argolas, além do individual geral e por equipes. Mas essa matemática está sujeita a muitas variáveis. A primeira delas é que é muito difícil um ginasta conseguir ter um nível tão alto em tantas provas diferentes. Principal nome mundial da modalidade atualmente, o japonês Kohei Uchimura conquistou duas medalhas em Pequim 2008, três em Londres 2012 e, levou duas na Rio 2016. Com os sete pódios até agora na carreira, ainda que, por um milagre, consiga oito medalhas nas próximas duas Olimpíadas, chegará a 23, com 35 anos, ainda distante da lenda das piscinas.

Info-PHELPS-Kohei-Uchimura (Foto: infoesporte)