A censura é um dos temas do grupo que condena o período militar mas aplaude Maduro e Fidel – Um dos jornais citados é A Tribuna, censurado, de Porto Velho

Armando Falcão, ministro da Justiça, era conhecido como o camarada que quando perguntado dava a mesma resposta: “Nada a declarar”. Historicamente políticos e outros nem tanto, gostam de dar uma declaração pública e, talvez esperando a repercussão, preferem a tradicional cantilena de que foram “mal interpretadas”; “a imprensa apanhou apenas uma frase num contexto”; “eu não quis dizer isso” e uma lista imensa de desculpas do que dizem ao sentir que não apareceram bem “na foto” – no caso, do retorno dado pelo público.

Recentemente Ciro Gomes disse que o Lula só pode ser solto se ele ou um candidato de seu lado político ganhe a eleição e, ainda, que para isso pretende, eleito presidente, enquadrar a Justiça e o MP.

Em meu entendimento, qualquer candidato que pense de tal forma só me faz voltar à ideia de que poderemos ter alguém eleito, dentro do princípio majoritário, como outros, tais como Hitler, Fidel, Maduro e, certamente, uma lista de outros similares.

Ouvir de um candidato à Presidência da República que vai soltar um preso condenado pela Justiça ou que vai “botar na caixinha” o MP e o Judiciário, lembrar que aqui mesmo no Brasil, há bem pouco tempo, tivemos presidentes que quando o sistema se via atingido, punia membros do MP, do Judiciário, professores etc.

Interessante, e muito triste, é ver que políticos que seguidamente condenam aquele período, retomam o velho discurso, mas quando verificam a repercussão negativa aí ressurgem aquelas citações de que foi uma “frase retirada do contexto”.

E, pelo visto, não é só o candidato do PDT que propõe o que disse à TV Difusora, maranhense. É só dar uma olhada por aí que os discursos se parecem muito, com o aval de parte significativa da Imprensa que, bem diferente de outros tempos em que uma parcela grande dos meios de comunicação tinham a coragem de condenar desmandos ainda que sofrendo todos os tipos de arbitrariedades, o que vemos agora é se dar espaço a quem está preso, até em busca de abocanhar uma parcela de votos.

John Philpot Curran (1750-1817), irlandês, cunhou uma frase que sempre vimos repetida por muitos. Disse ele: “O preço da liberdade é a eterna vigilância”.

É lastimável que se ouça muito que o povo quer a democracia, quer a liberdade, mas muito pior é que a “vigilância” do povo brasileiro, na hora de votar, é colocada de lado, porque o cidadão-eleitor tem a mania de não acompanhar o dia-a-dia da política e dos efeitos dela sobre a vida de qualquer um e se corra sempre o perigo de termos um “poste” novamente eleito, ainda que os resultados sejam o que esta Nação está passando há anos, a um preço tão exorbitante que talvez os bisnetos da geração que está agora completando 18 anos ainda tenham de pagar.

Considere-se dito!

LÚCIO OPINA
Lúcio Albuquerque, repórter e membro da Academia de Letras de Rondônia