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Com casos de mortes de humanos em vários estados do Brasil, a criptococose, conhecida como “doença dos pombos”, também é motivo de preocupação das autoridades em Vilhena. A cidade sofre com infestação destas aves já há vários anos e muitas escolas e órgãos públicos chegaram a desativar parte de seus complexos devido à grande população de aves que se aninhou nos telhados, forros e paredes.

Durante os últimos dois anos houve discussão intensa entre órgãos de controle, Câmara de Vereadores, Prefeitura e entidades ambientais para encontrar a melhor solução para o problema. “Os pombos têm predadores naturais, mas como Vilhena não é o habitat natural deles, os caçadores aqui não são suficientes para equilibrar o crescimento. Então, o grupo de animais se reproduz rapidamente e, por isso, é necessário o trabalho de captura especializada”, explica a secretária municipal de Meio Ambiente, Marcela Almeida.

Visto que os pombos realizam até seis posturas com dois ou três ovos cada por ano, a multiplicação dessas aves causou uma verdadeira infestação na cidade. Ainda que não haja uma estimativa da quantidade total, o número de pombos chega aos milhares e é suficiente para incomodar diversos bairros há quase 10 anos.

HISTÓRICO
Em novembro de 2011 o Posto de Saúde Leonardo Alves, do Setor 08, foi tomado pelas aves e gerou reclamações de toda a comunidade próxima. Já em março de 2015 a escola Aparecida da Silva recebeu denúncias de vários pais que suspeitavam que seus filhos haviam contraído criptococose, que também pode gerar pneumonia. Em fevereiro de 2017, a Prefeitura teve de promover limpeza de várias quadras esportivas de escolas com o uso de caminhões pipa. A situação, porém, não foi resolvida. Até hoje várias escolas sofrem com a infestação. A escola Abílio Juliano Nicolielo, por exemplo, ficou mais de um ano sem poder utilizar a quadra da unidade para eventos ou atividades esportivas devido à sujeira.

CAPTURA
“Desde o início deste ano começamos a controlar essa fauna sinantrópica nociva, que não é da região, através da captura com o uso da falcoaria. Além disso, estamos indo em cada órgão público infestado para retirar e instalar grades, limpar forros, fechar abrigos e afugentar os animais. Já efetuamos o trabalho nas escolas Abílio e Ivete, e agora estamos na Aparecida da Silva, Felipe Rocha e Vilma Vieira”, conta o biólogo Thiago Baldine, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

O trabalho extenuante envolve missões dentro dos forros das escolas, principal abrigo dos pombos. Com um gavião treinado, os especialistas da secretaria também fazem a captura dos animais durante o período da noite, conforme autorizados pela Normativa 141/06 do Ibama. “A falcoaria é uma atividade praticada há mais de 6 mil anos e reproduz um comportamento natural entre predador e presa.

BEM ADAPTADO
O pombo doméstico se alimenta de frutas e grãos. Por isso, se adaptou muito bem a Vilhena, que tem muita comida disponível, principalmente por causa das plantações de grãos e abundância de água.

Há 57 doenças associadas ao pombo, entre as piores a salmonela, a criptococose, a histoplasmose e a meningite. Matar essa ave pode configurar crime ambiental, de acordo com a Lei Federal nº 9.605, de 1998. Isso dificulta o combate, mesmo que a ave seja originária da Ásia e seja considerada pertencente à fauna sinantrópica nociva, ou seja, que pode transmitir doenças. Por outro lado, a eutanásia após a captura poderá ser uma opção, conforme métodos realizados em outras unidades federativas da nação.

“Encontramos nos gaviões uma solução eficaz para o problema. Agradeço à Semma que têm se doado neste projeto, em especial ao biólogo Thiago Baldine que conduz os trabalhos especializados com o gavião. É uma inovação para Vilhena. Vamos estender o projeto a todas as escolas que sofrem com isso. A Saúde das crianças deve ser protegida com todo o zelo. É mais um problema crônico que estamos enfrentando de frente”, explica o prefeito Eduardo Japonês (PV).

CRONOGRAMA
Pelo menos oito escolas já receberam equipes da Semma para a implantação da captura e afugentamento dos pombos. Nas escolas Abílio Nicolielo e Ivete Brustolin a ação já foi concluída, espantando e apreendendo cerca de 60 pombos. Atualmente a iniciativa está em andamento nas escolas Aparecida da Silva e Felipe Rocha, nas quais a previsão é de capturar pelo menos 400 pombos.

“Na Aparecida solicitamos, inclusive, que o forro seja retirado para que nossa equipe realize uma ampla limpeza no telhado. Está tudo andando bem, já que os gaviões espantam os pombos e a retirada dos ninhos (aliada à instalação de grades) já se mostrou eficaz na solução do problema em outras escolas”, explica a secretária de Meio Ambiente, Marcela de Almeida.

AÇÃO CONJUNTA
No projeto, a Semma conta com apoio do Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto), que faz a limpeza das quadras e telhados, da Secretaria de Obras, que ajuda com reparos na estrutura e também das próprias escolas que. “Ficamos felizes pois a ação com os gaviões envolve toda a comunidade escolar, já que aproveitamos as visitas nas escolas para realizar palestras sobre Educação Ambiental nas salas de aula junto com os gaviões, o que encanta os pequenos e até mesmo seus pais e professores”, revela Thiago.

Clique abaixo e assista vídeo de gavião em ação.

Em outras quatro escolas as atividades devem começar nas próximas semanas. Abaixo uma lista de escolas nas quais o projeto já chegou:

– Abílio Nicolielo (já realizado, afugentamento/captura de 50 pombos)
– Ivete Brustolin (já realizado, afugentamento/captura de 10 pombos)
– Aparecida (em andamento, afugentamento/captura prevista de 350 pombos)
– Felipe Rocha (em andamento, afugentamento/captura prevista de 50 pombos)
– Dalila Donadon (estudo já realizado, trabalhos começam nas próximas semanas)
– Angelo Mariano Donadon (estudo já realizado, trabalhos começam nas próximas semanas)
– Mário Grasso (estudo já realizado, trabalhos começam nas próximas semanas)
– Vilma Vieira (estudo já realizado, trabalhos começam nas próximas semanas)

FONTE: Folha do Sul