Brasil: A corrupção da Colônia à República – por Zamyrton Rocha

A prática da corrupção no Brasil existe desde a sua colonização na então “Ilha ou Terra de Vera Cruz” (primeiro nome dado às terras do Brasil pelos portugueses). E foi assim, essa prática, por seus gestores desde o Brasil império até os dias de hoje. No Brasil, duas formas de governos foram adotadas: a Monarquia (quando o poder do governo é concentrado em uma única pessoa – o rei); e a República (quando o poder advém do povo, que os elege de forma direta ou indireta). Tanto na Monarquia quanto na República (essa sob os comandos da ditadura militar ou por civis), segundo se tem conhecimento, carregam o estigma da corrupção.

Na Monarquia, pouco se sabia sobre os atos de corrupção, pois, como o poder era concentrado em uma única pessoa, o acesso às informações sobre os atos dos governantes não chegava de forma explícita e/ ou integral ao povo. Os dirigentes do poder só divulgavam aquilo que era de interesse deles. Na República, por um bom período, tanto os governos militares ou civis, por conta da censura, também não tinham suas mazelas de corrupção divulgadas, já que os órgãos de comunicação só divulgavam aquilo que era autorizado pelo governo.

Porém, com a chegada da República, os movimentos sociais organizados se mobilizaram em busca da transparência dos atos de nossos governantes, na luta pela conquista da absoluta liberdade de expressão, bem como pela realização de eleições diretas para colocarem no poder seus legítimos representantes. E a grande mobilização social brasileira nesse sentido foi o movimento denominado: “Diretas Já”, quando a sociedade se organizou e avançou muito. A partir daí, o povo, por meio de seus representantes congressistas, elaborou a primeira constituição com a participação popular, a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, conhecida como a “Constituição Cidadã”.

Com a “Constituição Cidadã”, a liberdade de expressão ganhou força; os órgãos de imprensa realizavam deliberadamente matérias investigativas, denunciando e divulgando os atos de corrupção e falcatruas cometidos pelos gestores públicos. Assim, o povo passou a ter acesso aos atos de ilicitudes praticados pelos titulares e integrantes dos poderes do estado. As denúncias atingiam todos os poderes constituídos: o Poder Executivo, o Poder Legislativo e até o Poder Judiciário.

Com tudo isso, é notável que a corrupção sempre foi e é o grande câncer que maculou e macula a imagem do Brasil no mundo. Da mesma forma, é a corrupção uma das principais causas da escravidão de nossos contribuintes, que sempre têm que pagar a conta. E caro!

Após a Constituição de 1988, o primeiro Presidente da República Federativa do Brasil, eleito pelo voto popular, Fernando Collor de Melo, foi também o primeiro presidente a não cumprir seu mandato com integralidade, pois um carro (Elba) o fez perder o mandato. A força do movimento popular denominado “Os Caras Pintadas” exigiu uma posição do Congresso Nacional para retirá-lo do Poder Central. Era o início da revolta do povo brasileiro contra atos de corrupção praticados pelos dirigentes do poder público.

Mas as coisas não pararam por aí, aqui e acolá se ouvia notícias de atos de corrupção por órgãos públicos nos diversos poderes. Em diversas operações, a Polícia Federal prendeu políticos, juízes, empresários de altíssimo poder aquisitivo, sob a acusação de corrupção passiva, ativa e de formação de quadrilha.

Porém, nunca na história desse país a corrupção foi tão avassaladora como no período de poder iniciado com a eleição de um trabalhador para presidir o Brasil. O senhor Luís Inácio da Silva (mas conhecido mundialmente pela alcunha de LULA), eleito com o voto popular pelo Partido dos Trabalhadores, deu início à institucionalização da corrupção no Governo Federal, por meio do mensalão, mensalinho entre outras denominações para cada ação de corrupção praticada por políticos lacaios.

E hoje, a sucessora de LULA, a senhora Dilma Rousseff, dando continuidade à institucionalização da corrupção no Brasil, é afastada do poder pela prática de crimes que atentam contra os princípios constitucionais, com as chamadas pedaladas fiscais e o déficit primário.

Assim sendo, mais uma vez o povo foi para as ruas com o movimento “Fora Dilma”, exigindo a saída de Dilma Rousseff (por renúncia ou por processo de impeachment), cujo processo corre no Senado da República, e que certamente findará com o encerramento de seu mandato. Vale salientar, que o povo brasileiro não foi às ruas por conta da prática das pedaladas fiscais ou pelo déficit primário (aliás, muitos dos brasileiros nem sabem até hoje o que isso significa), o povo foi sim às ruas e praças públicas pelo sentimento de revolta ante a desenfreada prática de corrupção institucionalizada.

Havemos de convir, que a corrupção não tem cor partidária, tem sim, personalidade formada por políticos mau caráter. E são muitos, conforme se desenrola uma única operação (Lava Jato), que já se desdobra até o momento, em 28 fases, que investigam corrupções praticadas por diversos órgãos estatais, como PETROBRÁS, BNDES, entre outros, sob a égide de políticos desonestos. E nessa operação, a cada novo dia, os brasileiros tomam conhecimento de novos políticos e empresários envolvidos no mundo do crime.

Políticos, empresários, diretores e presidentes de estatais, envolvidos na corrupção, se utilizam dos institutos da Delação Premiada e da Leniência para aliviarem suas penas, e é nessa hora que vem à tona novos nomes de políticos de diversos partidos (antes acima de qualquer suspeita) envolvidos com o crime de corrupção. Pasmem, ao serem citados novos nomes de políticos, esses juram de pés juntos que não sabem, não viram, não conhecem, afirmam, inclusive, que os delatores estão fazendo acusações irresponsáveis, sem fundamento e sem provas. Por outro lado, as delações premiadas são relatadas com tanta riqueza de detalhes, indicando valores, datas e horários do cometimento do crime, que não nos resta qualquer alternativa: senão acreditar.

Para maior surpresa dos brasileiros, agora também é acusado de envolvimento em atos de corrupção o Presidente de plantão Michel Temer do PMDB (por isso, a corrupção não tem cor partidária). Afinal, são inúmeros políticos integrantes de diversos partidos envolvidos ou suspeitos da prática de crimes de corrupção. E se Temer estiver mesmo envolvido no mundo do crime, quem nos restará? O Tiririca?

É certo que não são todos os políticos corruptos, mas pelo andar da carruagem, poucos restarão ilesos do crime de corrupção.

Mas, um homem precisa ser enaltecido, lembrado e jamais esquecido, o ilustre e destemido Juiz Federal Sérgio Moro, o marco divisor da justiça brasileira. Assim sendo, podemos afirmar que a justiça do Brasil tem o seu momento de antes e pós Juiz Sérgio Moro. Pois, sua competência, coragem, determinação, honradez, e principalmente o espírito de justiça, tem dado a devida satisfação ao povo brasileiro. E se assim continuar, certamente teremos na cadeia, senão todos, mas a maioria dos corruptos e corruptores que mancham a imagem de nossa pátria amada Brasil!

Por fim, enquanto existir no Brasil pessoas do quilate do Juiz Sérgio Moro, restará também, uma esperança da nação brasileira por dias melhores.

Tenho Dito!

Zamyrton Rocha

O autor é Jornalista, escritor, bacharel em Direito, palestrante e consultor político. Possui experiência de mais de 30 anos em campanhas eleitorais, na coordenação e elaboração de planejamento, estratégias e mobilização.