Gênesis, 21. 26 a 31 – Eis que lhes dou todas as plantas que nascem em toda a terra e produzem sementes, e todas as árvores que dão frutos com sementes. Elas servirão de alimento para vocês.

Há alguns anos a polícia em Brasília prendeu (*) um homem humilde. Seu crime? Sem dinheiro para comprar o remédio que a esposa necessitava, ele foi flagrado cometendo um crime inafiançável: a fim de fazer um chá natural, ele estava raspando a casca de uma árvore, tida, conforme a lei, como uma espécie de preciosidade tal que deveria (certamente ainda deve) ter mais regalias do que a vida humana.

Em 2004, numa matéria que fui fazer no Rio Guaporé, cheguei a discutir com um policial que se vangloriava de ter prendido um agricultor porque em sua casa foi encontrada uma arma perigosíssima: uma espingarda velha, daquelas de carregar pela boca, que o “criminoso” usava para sua defesa de ataques de feras e para abater uma caça para suprir a ele e sua família.

Há alguns anos, o candidato o governador Gilberto Mestrinho, do Amazonas, virou saco de pancada de ecologistas de beira de praia e do grupo da imprensa que segue a cartilha do “politicamente correto”. Tudo porque Gilberto disse numa entrevista que estava autorizando abater jacarés na região do baixo Rio Amazonas, porque os sáurios estavam em grande quantidade e atacando seres humanos.

Casos e exemplos como tais devem ser conhecidos de muita gente, a “maioria silenciosa” que com medo de se expor prefere criticar em rodas pessoais e calar, enquanto nossos políticos e membros de tribunais vão pela onda da mídia e da chamada “sociedade civil organizada”, via de regra direcionada por grupos de interesses bem distantes do que a sociedade realmente quer e precisa.

Na pauta do STF deste mês de agosto está um tema que merece uma atenção maior do que a barulheira dos “politicamente corretos”: a matéria trata de descriminalização do aborto.

E aqui volto à questão do que vale mais: se você for flagrado tirando, transportando ou comendo um ovo de tracajá certamente vai ser preso, moralmente destruído e condenado. Mas a bíblia não diz que Deus criou para uso do homem?

Pois é: você vai ser preso e terá sua vida destroçada como destruidor da Natureza. Agora, a maior obra da Natureza, a vida humana, esta pode, no entendimento “politicamente correto”, ser extinta pelo erro que o feto não cometeu, o de ter sido gerado.

Um tema que em outros países já obteve aprovação não tenho dúvidas de que o nosso STF vai autorizar, mas também não tenho muita dúvida de que, em um átimo de consciência, o próprio STF volte a fazer o que não é obrigação sua: legislar sobre o assunto. Mas o STF está fazendo apenas o papel que os dois parlamentos federais não fazem há muito tempo: legislar.

E, como numa roda que gira e volta, não há como negar que a culpa pelo parlamento não cumprir sua obrigação seja nossa, eleitores, que não assumimos a responsabilidade do voto e elegemos a cada ano mais e mais pessoas interessadas em suas metas pessoais, dentre as quais estão as de evitar que a Justiça as alcancem.

(*) nacional@dgabc.com.br | 4435-8301

Considere-se dito!

LÚCIO OPINA
Lúcio Albuquerque, repórter e membro da Academia de Letras de Rondônia