Cinco e meia da “matina” o gerente do bar Bangalô acabou de chegar e desabar depois de uma noitada trabalhando no que, na década de 1980, era o principal local de encontro de poetas, intelectuais, jornalistas e políticos. O cara está literalmente derrubado da trabalheira.
Mal deita, o telefone toca. Do outro lado da linha um conhecido advogado, frequentador assíduo do Bangalô, contumaz consumidor de uísque, está com a voz meio enrolada perguntando pelo gelo.

“Cadê o gelo?”, reclamava o cliente que, de tanto ir ali, tinha uma espécie de passe livre de acesso às prateleiras. O gerente, louco para dormir um pouco, porque teria de sair logo para fazer algumas compras, manda o camarada dormir, mas o cara insistia.

“Cadê o gelo?”. E explicava que queria tomar mais uma antes de ir para casa e não achava o gelo, já havia encontrado sua garrafa predileta, e não via ninguém dentro do bar, mas para ele o importante era apenas o gelo.

O gerente conseguiu explicar que o bar estava fechado e aí resolveu perguntar o que o cliente estava fazendo lá dentro, como havia entrado. E aí teve a resposta:
Eu tava no banheiro e quando acordei não vi ninguém, aí resolvi tomar a “saideira” e não encontro o gelo. Aliás, cadê o gelo?”.
Bom, para encurtar a história o jeito foi o gerente cancelar a dormida e ir lá ao bar “libertar” o cliente.

LÚCIO OPINA
Lúcio Albuquerque, repórter e membro da Academia de Letras de Rondônia