Dilma Rousseff diz que é preciso “perdoar quem bateu panela”

Em entrevista a rede alemã, ex-presidente afirmou que o PT não deve buscar vingança nas eleições de 2018

A ex-presidente Dilma Rousseff disse ao canal Deutsche Welle, da Alemanha, que o Brasil tem de se reencontrar e que o seu partido, o PT, ainda representa novidade na política nacional. Durante a entrevista, feita em Berlim durante viagem da ex-líder, ela também destacou que a sigla não tem de buscar vingança nas eleições de 2018.

Dilma alegou que foi vítima de um golpe que a tirou do cargo, mas que agora é o momento de perdoar aqueles que bateram panela por sua saída. A petista também comentou sobre as possíveis alianças do partido que representa com o PMDB. Segundo ela, não há problemas nessas parcerias.

“Dificilmente nós faremos aliança com o PMDB em nível nacional. Mas você vai falar que não pode fazer aliança com o (senador Roberto) Requião? O Requião é do PMDB, e uma pessoa que combateu o golpe. Você não vai fazer uma aliança com a Kátia Abreu? Ela foi outra que combateu o golpe”, pontuou Dilma.

Questionada se o mesmo entendimento se aplicava ao senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que votou pelo impeachment, a ex-presidente complementou:

— O Renan Calheiros não trabalhou a favor do golpe. (…) E essa não é a questão relevante. Não acho que perdoar golpista é perdoar o PMDB e o PSDB. Acho que perdoar golpista é perdoar aquela pessoa que bateu panela achando que estava salvando o Brasil, e que depois se deu conta de que não estava.

Sobre uma possível nova candidatura, afirmou que não descarta a possibilidade.

Ao ser questionada sobre a atual situação do Brasil, Dilma retomou a questão de seu afastamento:

— O golpe que sofri tem três fases. A primeira e inaugural é meu impeachment. A segunda é esse estrago que eles estão provocando, como a emenda que congela os gastos em saúde e educação. Ou a reforma trabalhista, num país que há pouco tempo saiu da escravidão. O terceiro momento do golpe é inviabilizar o Lula e, aí, vender o pré-sal.

A ex-presidente fez questão, também, de mencionar seu companheiro de sigla e também ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva.

— Há uma maior percepção no Brasil de que o Lula está sendo perseguido. Em que eu baseio essa afirmação? Se você olhar o desenvolvimento das pesquisas, vai ver que está subindo a aprovação. É a percepção do povo brasileiro de que ele foi o melhor presidente. Minha esperança seria ele voltar. Eles apostam que o povo brasileiro é ignorante. Mas o povo brasileiro vai percebendo esse grau de intolerância e de perseguição.