Em resposta à Venezuela, Brasil decide expulsar principal diplomata do país

O Ministério das Relações Exteriores informou nesta terça-feira (26) que irá declarar “persona non grata” o encarregado de negócios da Venezuela no Brasil, Gerardo Antonio Delgado Maldonado. Na prática, com a medida do Itamaraty, ele terá de deixar o país.

A declaração de “persona non grata” a Maldonado acontece três dias após a Venezuela ordenar a expulsão do embaixador do Brasil no país, Ruy Carlos Pereira (relembre no vídeo mais abaixo).

Procurada, a Embaixada da Venezuela em Brasília informou que somente se pronunciará sobre o assunto nesta quarta (25).

Segundo o governo, Maldonado é o atual representante da Venezuela no Brasil porque em maio de 2016 o presidente Nicolás Maduro mandou o embaixador, Alberto Castellar, retornar a Caracas.

A medida de Maduro foi tomada logo após a então presidente Dilma Rousseff ser afastada do mandato em razão do impeachment – o governo venezuelano se posicionou contra o processo.

Afastamento entre Brasil e Venezuela

As relações entre os governos brasileiro e venezuelano foi mais estreita nos governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Mas, desde que o presidente Michel Temer assumiu, em razão do impeachment, houve um afastamento entre os dois países, principalmente porque a Venezuela não reconheceu a destituição de Dilma.

O afastamento se aprofundou em março deste ano após o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, dizer que a então chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, não tinha “muita importância”, em resposta à declaração dela de que o Brasil é uma “vergonha mundial”.

Além disso, em 21 de julho, o presidente Michel Temer afirmou, na Cúpula do Mercosul, na Argentina, que o bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai via “ruptura democrática” na Venezuela em razão da crise política enfrentada no país, com a prisão de opositores a Maduro.