Ganhar a eleição presidencial pode ter sido o desafio menor a que se propôs Jair Bolsonaro desde 2014 quando, conforme ele explicou, decidiu disputar o Palácio do Planalto quatro anos depois, uma candidatura que parecia totalmente inviável e que, graças à interação permitida pelas redes sociais e contando com um imenso “exército” de milhões de multiplicadores, acabou fazendo com que uma proposta risível acabasse gerando o direito de um ex-oficial intermediário ganhar, nas urnas, o lugar maior a partir de janeiro próximo.

Urnas fechadas, especulações de que elas poderiam ser fraudadas para prejudicar o candidato que terminou vencedor, mas inimputáveis conforme autoridades, o candidato com um discurso da vitória atípico na forma e na essência, deixou analistas sem entender como alguém que tinha 8 segundos de televisão, sem recursos e com um palanque sem nomes tradicionais da política brasileira, pode ganhar a eleição.

Certamente que a essa altura do campeonato institutos de pesquisas, partícipes da velha política, órgãos de comunicação devem começar a repensar a maneira de fazer política, da mesma forma como empresas de marketing e seus aprendizes de feiticeiros.

Bolsonaro inaugurou uma nova forma de política, especialmente usando uma fórmula que gosto muito, deixando de lado o absurdo e imoral “politicamente correto”, preferindo usar sempre o mesmo que já fazia como deputado federal, o chamado “efeito Tramontina”, como quando  numa entrevista uma jovem perguntou se não será uma violência castrar estupradores, e recebeu o “troco” na hora: “Pergunte às mulheres estupradas”, devolveu ele.

Mas agora é hora de começa a baixar a poeira e pensar como encarar os desafios que está vindo por aí, uma lista enorme, e que pode ficar pior devido à postura do candidato derrotado que talvez sem entender que há cortesias mesmo de parte de um perdedor ao vencedor, não cumprimentou o adversário, conforme fizeram todos os outros, mas preferiu um discurso de convocação tipicamente partidária e sem entender que o Brasil está, como parte do slogan de Bolsonaro, “acima de todos”.

Para Bolsonaro a hora daqui para a frente é buscar como cumprir metas básicas de sua campanha, a volta do mérito, a relação internacional com países que realmente interessam ao Brasil, combater a violência, valorizar a família e, talvez o fato mais importante: fazer com que o cidadão retome, o que havia há duas décadas, a confiança e a credibilidade no Poder Público.

E cumprir essas metas básicas de sua campanha pode ser o maior problema, mais que a sua eleição, a ser enfrentado pelo descendente de italianos cujo primeiro nome é homenagem a um dos grandes jogadores brasileiros, o “Jajá”.

Talvez uma proposta que Bolsonaro pode usar seja continuar falando direto com o cidadão, sem intermediários e denunciando à Nação aqueles que há anos se revezam na política brasileira sem terem qualquer sentimento de respeito por quem dizem estar representando.

Como disse na noite de domingo uma entusiasmada eleitora do presidente eleito, “se ele cumprir as metas básicas da campanha já terá feito muito mais que seus três últimos antecessores”.

Considere-se dito!

LÚCIO OPINA
Lúcio Albuquerque, repórter e membro da Academia de Letras de Rondônia