Greve dos bancários completa duas semanas

greve dos bancários completa duas semanas sem que os trabalhadores e o bancos tenham chegado a qualquer acordo. Na véspera, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) informou que decidiu pela continuidade da paralisação.
Segundo balanço da entidade, a greve fechou mais da metade das agências do país. De acordo com dados do comando dos grevistas, 12.608 agências e 49 centros administrativos tiveram as atividades paralisadas.

Veja a situação em alguns estados:

Amapá
No Amapá, há 28 agências bancárias que paralisaram as atividades, segundo informou o sindicato da região. Por conta da greve, serviços como saques e depósitos ficaram reduzidos e clientes reclamam que o atendimento está menos eficiente.

Ceará
Fortaleza tem 196 agências afetadas, de um total de 259. O número implica em 75,6% do geral na capital cearense. Em todo o estado, 419 das 562 agências tiveram impacto, ou seja, 74,5% do total no Ceará. Para o sindicato da categoria, é o maior número de agências fechadas já registrado em greves da categoria.

Já no interior do estado, a greve atinge 223 das 303 agências – que representa 73,5%. “É a maior greve dos últimos 25 anos. Chegamos a 419 agências, a gente nunca conseguiu isso. É um desrespeito muito grande com a população.

Apesar dos lucros bilionários dos bancos e da tentativa de impor perda salarial para os bancários, essa é a resposta da categoria”, critica o presidente do sindicato no Ceará, Carlos Eduardo Bezerra.

Espírito Santo
A greve dos bancários chega ao 15º dia em vários estados do pais e, segundo o balanço do Sindicato dos Bancários do Espírito Santo (Sindibancários-ES) desta terça-feira (20), afeta 341 agências do Espírito Santo, o que representa 74% do total.

Os clientes reclamam que enfrentam a falta de envelope e dificuldades para pagar faturas. Algumas pessoas estão com problemas para sacar dinheiro e, consequentemente, acumulam dívidas.

Goiás
A greve dos bancários segue sem previsão de acordo em Goiás. Os funcionários recusaram as propostas feitas pelas instituições financeiras por considerar os reajustes oferecidos inferiores ao que a categoria deseja. Enquanto o impasse continua, alguns serviços não estão sendo feitos.

Segundo a assessoria de imprensa do Sindicato dos Bancários do Estado de Goiás, a paralisação é crescente e cerca de 75% das 755 agências espalhadas pelo estado estão fechadas. Apenas serviços de compensação eletrônica e caixas eletrônicos estão funcionando. Já serviços personalizados estão paralisados.

Maranhão
Desde o início da greve dos bancários, no dia 6 de setembro, já se passaram duas semanas de paralisação em São Luís.

O presidente do Sindicatos dos Bancários (SEEB-MA), Eloy Natan, informou que a categoria permanecerá em greve até que seja apresentada uma proposta convincente. “Os banqueiros propuseram reajuste de 7%, além de um abono de R$ 3.300,00, mas a categoria não aceitou. Continuamos com a greve, realizando diariamente manifestações em frente à agências bancárias e assembleias para oranizar o movimento grevista”, declarou.

Minas Gerais
A greve dos bancários atinge 72% das agências em Belo Horizonte e outras 54 cidades de Minas Gerais, de acordo com a representação dos trabalhadores nas localidades. Último balanço divulgado pelo Sindicato dos Bancários de BH e Região informa que 542 das 753 agências estavam fechadas até esta segunda-feira (19). O número de trabalhadores parados não foi divulgado.

No Norte de Minas, mais nove agências bancárias aderiram ao movimento. Ao todo, são 81 unidades com atendimentos paralisados em 69 cidades da região. Com a interrupção dos serviços bancários, as casas lotéricas e agências dos Correios estão cheias, por causa do crescimento da demanda de clientes.

A greve dos bancários já atingiu 70 agências em 45 municípios do Leste de Minas Gerais, segundo o levantamento dos sindicatos da região. Com grande parte dos bancos fechados, o número de atendimentos feitos em casas lotéricas e Correios aumentaram significamente.

Paraná
A greve dos bancários no Paraná, que começou no dia 6 de setembro, completa 15 dias nesta terça-feira (20) sem avanço nas negociações. Nestas duas semanas, 791 agências e dez centros administrativos fecharam em todo o estado e mais de 19 mil trabalhadores estão de braços cruzados para exigir a reposição da inflação e mais 5% de aumento real nos salários.

Rio Grande do Sul
Os bancários devem realizar uma assembleia após o feriado Farroupilha, celebrado nesta terça-feira (20) no Rio Grande do Sul, para determinar os próximo passos da greve que entra na sua terceira semana.

A assembleia será realizada na quarta-feira (21) como forma de pressionar a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) para voltar à mesa de negociação que é conduzida em São Paulo, conforme afirma a categoria.

De acordo com o Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários), 973 agências ficaram fechadas no Rio Grande do Sul, sendo que 13.071 não abriram as porta em todo o país.

Santa Catarina
Em Santa Catarina, as adesões de trabahadores e o fechamento de agências não param de crescer. De acordo com o sindicato dos servidores, “apesar das filas de clientes nas salas de autoatendimento, em casas lotéricas e terminais de serviços, a população tem sido compreensiva às reinvindicações dos trabalhadores”.

Até agora, só na Grande Florianópolis, das 150 agências, ao menos 115 estão fechadas. Das 63 agências da região de Joinville, cerca de 42 não estão atendendo clientes. Em Araranguá, das 21 instaladas na cidade e região, 19 estão fechadas.

São Paulo
A greve dos bancários completa duas semanas nesta terça-feira (20) com 364 agências fechadas no Vale do Paraíba e região bragantina.

Na região de São José dos Campos, que abrange o maior número de funcionários, 179 das 184 agências amanheceram fechadas. De acordo com o sindicato dos bancários, mais de 2,8 mil trabalhadores aderiram ao protesto, representando 97% do total.

Na sede em Taubaté, 85 das 86 agências permanecem fechadas. Em Guaratinguetá, 654 funcionários de 53 agências também aderiram a paralisação. Já em Bragança Paulista, foram interrompidos os serviços em 47 das 54 unidades bancárias.

A greve dos bancários entrou na terceira semana na região de Itapetininga nesta terça-feira (20). Na cidade, são 12 agências e postos de atendimentos fechados. Em Avaré (SP), as 10 unidades da cidade permanecem com os serviços paralisados.

De acordo com o Sindicato dos Bancários de Sorocaba e Região, não há previsão para novas reuniões e propostas pelo fim interrupção, iniciada em 6 de setembro.

De acordo com o diretor do Sindicato dos Bancários de São Carlos, Lauriberto Viganon, 15 unidades estão fechadas. As outras estão funcionando com o expediente reduzido, com abertura a partir das 14h, e não há previsão de normalização do atendimento.

Já em Araraquara, o sindicato das categoria afirma que todas as agências continuam fechadas.

A greve dos bancários entrou na terceira semana e agências bancárias de cidades da região de Sorocaba e Jundiaí (SP) continuam fechadas. Após 15 dias de paralisação, 93 dos 120 bancos de Jundiaí aderiram ao movimento. Já em Sorocaba, são 237 agências que não fazem atendimento ao público.

Tocantins
A falta de atendimento e abastecimento dos caixas eletrônicos tem prejudicado os comerciantes e usuários. No Tocantins, 142 agências estão fechadas, de um total de 158.
Negociação

Segundo a Contraf, os bancos reapresentaram a proposta que já haviam feito na reunião de terça-feira (13), que terminou sem acordo. Na sexta-feira (9), os bancários já haviam recusado a outra proposta da Fenaban. A greve teve início na terça-feira passada (6).

A Fenaban não tem divulgado balanços diários de agências fechadas, mas informa que a população tem à sua disposição uma série de canais alternativos para realizar transações financeiras.

De acordo com o Banco Central, o país tem 22.676 agências bancárias instaladas, segundo último balanço do Banco Central.

Reivindicações
A categoria havia rejeitado a primeira proposta da Fenaban – de reajuste de 6,5% sobre os salários, a PLR e os auxílios refeição, alimentação, creche, e abono de R$ 3 mil. A proposta seguinte, também rejeitada, foi de reajuste de 7% no salário, PLR e nos auxílios refeição, alimentação, creche, além de abono de R$ 3,3 mil.

Os sindicatos alegam que a oferta não cobre a inflação do período e representa uma perda de 2,39% para o bolso de cada bancário.

Os bancários querem reposição da inflação do período mais 5% de aumento real, valorização do piso salarial – no valor do salário mínimo calculado pelo Dieese (R$ 3.940,24 em junho) -, PLR de três salários mais R$ 8.317,90, além de outras reivindicações, como melhores condições de trabalho.

A Fenaban disse em nota que “o modelo de aumento composto por abono e reajuste sobre o salário é o mais adequado para o atual momento de transição na economia brasileira, de inflação alta para uma inflação mais baixa”.