Quando se fala em sofrimento, não poucas pessoas esperam uma tragédia, ou para maior ênfase, um evento catastrófico, de proporções imensuráveis, para dar a devida atenção e crédito. Talvez isto ocorra como síndrome do comodismo de alguns, que sequer conhecem direitos e deveres, que lhe são assegurados pela magna Carta, enquanto cidadãos que habitam em uma nação conhecida como Estado Democrático de Direito.

A Constituição da República Federativa do Brasil, editada e promulgada no ano de 1988, em vigor desde então, com inúmeras conquistas sociais, nos convida a traçar um comparativo entre ideal e real. Afinal, o que nela está escrito como norma à vigorar em prol dos seus habitantes, torna-se contraditório no confronto com o cotidiano prático, nas várias áreas sociais.

Um Estado Democrático de Direito é sim, um conceito idealizado com a finalidade primeira, de assegurar o respeito às liberdades civis, que se configura pelo respeito aos direitos humanos fundamentais. Por isso, está estabelecida uma proteção jurídica “em teoria”, que visa conceder aos cidadãos brasileiros diversos direitos, e entre eles, destaca-se a saúde, o trabalho e o lazer.

Os direitos sociais foram construídos sob a premissa de oferecer uma melhor qualidade de vida aos indivíduos. Neste contexto, ouvindo os clamores da população, é que se expõem tais considerações. Não bastasse o custo para a obtenção de energia elétrica, que mês a mês se mostra elevado, chegando a níveis insuportáveis, os moradores do Bairro Jardim Eldorado, cidade de Porto Velho-RO., vivem o drama de quedas sucessivas de energia, ficando por horas às escuras, a cada alteração climática, especialmente em dias chuvosos.

Há, claramente, uma fragilidade no sistema elétrico da localidade, requerendo por parte da empresa fornecedora de energia, medidas que possam sanar o problema em caráter definitivo, visto que vem penalizando a todos. Enquanto isto não acontece, resta aos moradores contar com a sorte, para que não haja mudança climática de nenhuma ordem. Caso contrário, é buscar disposição física e emocional, para suportar uma noite mal dormida, já que não há como combater o calor e as investidas de insetos oportunistas como Carapanãs, com sua sinfonia perturbadora.

Condições para uma noite bem dormida, para amanhecer com disposição para cumprir seus afazeres, seja no campo de trabalho, escolar ou ambiente doméstico, é sim, ao contrário do que alguns pensam, direito assegurado pela CF/88, aos cidadãos que honram seus compromissos e pagam seus impostos, esperando vê-los convertidos em benefícios individuais e coletivos.

Rita Urizzi

A autora é Educadora, Pesquisadora, Licenciada em Pedagogia; Especialista em Administração e Gerenciamento e Docência no Ensino Superior. Possui experiência de mais de 30 anos em Assessoramento Parlamentar, atuando nas áreas de Planejamento e Coordenação de equipes, para prestação de serviços ao setores Público e Privado.