Se já estava ruim de grandes nomes, o jornalismo brasileiro9 perdeu ontem um de seus ícones, com a morte de Ari Cunha, que certamente muitos dos jornalistas atuais nem devem ter ouvido falar, mas que escreveu seu nome ao conduzir a instalação de um autêntico milagre: a implantação do jornal Correio Braziliense, onde desde a fundação em abril de 1960 até poucos anos atrás assinava a coluna com seu nome, sob o dístico “Visto, lido e ouvido”.

Para se ter a ideia das dificuldades em fazer funcionar um jornal diário na “Capital da Esperança” na época de sua inauguração, ele contava que as instalações foram construídas praticamente num tempo muito curto, menos de quatro meses, mas tudo era no ritmo como tudo fez Brasília acontecer.

Era uma leitura praticamente obrigatória para quem queria entender os caminhos da política e da administração federal, uma espécie de coluna que servia de base para discursos no Congresso Nacional e até para corrigir rumos do Governo.

Ari Cunha pegou o “expresso da meia noite” aos 91 anos, deixando um forte legado para quem pretenda se tornar jornalista, especialmente dos que conseguem influenciar a direção dos ventos da política.

Por aqui, com certeza, na época em que todos os grandes jornais diários eram encontrados a partir das 14 horas na Banca do Silva – Prudente com a Sete de Setembro – Ari Cunha era leitura obrigatória e motivo de discussões da turma daquele período final do Território e início do Estado, dentre os quais os falecidos Paulo Queiroz e Rochilmer Rocha, além do Montezuma Cruz e eu.

Mas com certeza ao desembarcar do “expresso da meia noite” Ari Cunha estava com uma recepção de gala, na gare do Valhalla, com o ex-presidente JK, o empresário Assis Chateaubriand e vai por aí. E se lá há um jornal diário, certamente Ari Cunha vai editar sua coluna que tem outro jornalista com grande peso político, também da redação do “Correio Braziliense”, ninguém menos que Castelinho.

LÚCIO OPINA
Lúcio Albuquerque, repórter e membro da Academia de Letras de Rondônia