Três jovens de Rolim de Moura, na Zona da Mata, fizeram uma paródia musical falando sobre o alto índice de roubos na cidade. A música utilizada por eles é o hit do momento ‘Sua Cara’, interpretada por Pablo Vittar, Anitta e Major Lazer. O vídeo foi publicado no canal do Yotube e tem feito sucesso nas redes sociais.

O cenário da gravação é uma creche em construção que está com a obra paralisada há cerca de dois anos no bairro Cidade Alta. O local que serviu de inspiração, segundo o produtor da paródia, fica em frente a casa da avó dele que foi assaltada três vezes em menos de um mês. A paródia foi produzida e gravada em Rolim de Moura.

O clipe foi produzido pelo youtuber Welintton Bisinoto, de 19 anos, com a ajuda das primas Camila Bisinoto Silva e Caroline Bisinoto Portato, ambas de 11 anos. Há cerca de um ano Wellinton criou um canal no Youtube, no qual posta vídeos produzidos por ele.

Ao G1, Wellinton revelou que o clipe foi produzido com apenas um aparelho celular e a música foi gravada em um estúdio da cidade. “As filmagens foram feitas apenas por mim e minhas primas, enquanto um entrava em cena o outro filmava. Já para gravar a letra da música, fomos a um estúdio e passamos 3h gravando. Depois editei as imagens e postei o vídeo”, conta.

Ainda segundo o youtuber, a letra da paródia estava escrita há algum tempo, porém faltava a música perfeita para dar ritmo e voz ao texto. “Assim que o clipe da música ‘Sua Cara’ saiu, assisti e gostei bastante. Depois conversei com as meninas para a gente gravar a paródia juntos, elas toparam, fizemos algumas adaptações no texto, marcamos o dia e gravamos”, conta.

A peça aborda de forma bem humorada o aumento da violência na cidade, em especial os roubos. De acordo com Wellinton, a ideia foi produzir um trabalho diferente para chamar atenção sobre os assuntos abordados.

“Pensei em fazer uma coisa legal para mostrar para a minha família e amigos. Também queria alertar sobre a violência, tendo em vista que a casa de minha avó fica em frente a creche e lá já teve três roubos e duas tentativas de furtos em menos de um mês. A gente sabe que muitos bandidos ficam escondidos na obra parada, depois saem de lá e vão assaltar as casas do bairro e ninguém toma uma providência para resolver esse problema”, desabafa.

O jovem esclarece também que na parte da letra que fala que a ‘polícia não faz nada’ não é uma crítica ao trabalho da polícia e sim ao setor público responsável pela segurança no país. “Algumas pessoas me criticaram dizendo que estou falando mal da polícia, mas na verdade não é bem assim. Nossa crítica é para os responsáveis pelas leis e pela segurança do cidadão. A polícia faz a parte dela”, justifica.

Para Camila Bisinoto Silva, que já canta na igreja junto com a prima Carolina, a gravação da música em estúdio foi a parte que ela teve mais dificuldades. “Estava muito quente no dia e tivemos que parar várias vezes a gravação para tomar água e descansar porque a garganta secava e nos atrapalhava”, relata.

Caroline Bisinoto Portato, a outra personagem do clipe e que ajudou a fazer adaptações na letra da paródia revela que está surpresa com a repercussão do vídeo. “Na escola todo mundo vem falar comigo sobre a paródia. Nas redes sociais também há muitos acessos. Garanto que foi surpreendida com tudo isso, mas estou muito feliz com o resultado e espero que alcance o propósito almejado, que é servir de alerta”, expõe.

Violência

G1 entrou em contato com a secretária de Educação de Rolim de Moura Vânia Regina da Silva, que informou que a construção da creche teve início em 2013 através de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2), do Governo Federal, mas a empresa que ganhou a licitação teve problemas com o projeto do empreendimento e o contrato foi rescindido.

Ainda de acordo com a secretária, depois de mais de anos parada a construção deve ser retomada nos próximos dias. “Conseguimos um recurso de cerca de R$ 1 milhão e mais R$ 250 mil da prefeitura. E se não tivermos nem um problema na licitação, os serviços devem ser reiniciados nos próximos 60 dias”, diz.

O delegado regional de Rolim de Moura, Alexandre Bacarini, reconhece que mesmo com uma redução nos registros de furto e roubo nos últimos dois meses, o índice dos delitos é alto para o município.

Para ele, o problema ocorre por uma série de fatores. “Isso não é só problema de polícia. Também uma questão social. Claro que a polícia tem sua parcela de culpa. Não a polícia em si, mas o Estado, tendo em vista que há carência de servidores e material, ou seja, onde a polícia não está presente é um prato cheio para quem quer praticar crimes”, aponta.