Justiça determina afastamento de vice-prefeito após prisão

Jacier foi preso na quarta (2), suspeito de lavagem de dinheiro e corrupção. Político deve ficar afastado de prefeitura durante todo o inquérito policial.

Vice-prefeito e vereador são presos suspeitos de corrupção em Vilhena (Foto: Elilson Fabiano/Arquivo pessoal)

A Justiça determinou, nesta quinta-feira (3), a suspensão do exercício da função pública do vice-prefeito Jacier Rosa Dias (PSC), em Vilhena (RO), na região do Cone Sul. Ele preso pela Polícia Federal (PF) na quarta-feira (2). A decisão é da 1ª Vara Criminal da comarca do município. Jacier é suspeito de lavagem de dinheiro e corrupção.

Além de Jacier, o judiciário ainda pediu o afastamento de Antonio Marco de Albuquerque (PHS), conhecido como Marcos Cabeludo, preso no mesmo dia. Ele também é suspeito de envolvimento nos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção.

Conforme a Justiça, ambos devem ficar afastados da Prefeitura e Câmara de Vereadores durante todo o inquérito policial e eventual instrução criminal. Uma das fundamentações utilizada para a decisão foi o artigo 17-D, da Lei 9.613/98, que dispõe sobre crimes de lavagem de dinheiro.

A PF já tinha enviado ofício à Câmara de Vereadores, ressaltando o cumprimento desta lei, que diz: “Em caso de indiciamento de servidor público, este será afastado, sem prejuízo de remuneração e demais direitos previstos em lei, até que o juiz competente autorize, em decisão fundamentada, o seu retorno”.

PF realizou buscas e apreensões de documentos no hotel do vice-prefeito (Foto: Elilson Fabiano/Arquivo pessoal)

Jacier foi preso em seu hotel, no Bairro Jardim América, e Marco em casa, no Bairro São José. A prisão de ambos é preventiva, ou seja, por tempo indeterminado. Os advogados de Jacier e Marco explicam que estão tomando ciência dos autos, para avaliarem as medidas a serem tomadas.

De acordo com a câmara, com o afastamento de Marco, o suplente pastor Francis Godoy (PRB) será convocado nos próximos dias. O novo vereador deve tomar posse na sessão ordinária do dia oito de novembro.

Prisões dos vereadores
Nas últimas semanas, quatro vereadores foram presos pela Polícia Federal (PF) em Vilhena. As prisões fazem parte de investigações de um esquema, que apura corrupção e lavagem de dinheiro na Câmara Municipal de Vereadores.

De acordo com a PF, as investigações começaram quando o Ministério Público Federal (MPF) soube das irregularidades, através de outras operações desencadeadas no município. As apurações apontam que os vereadores participavam de um esquema de aprovação de loteamentos na cidade, mediante recompensa. Conforme a PF, para os loteamentos serem aprovados, os vereadores recebiam terrenos e quantias em dinheiro.

O vereador José Garcia da Silva (DEM) foi o 1º a ser preso em flagrante, no dia 18 de outubro. A prisão foi realizada pela PF quando Garcia estava a caminho da Câmara de Vereadores do município.

O vereador Vanderlei Amauri Graebin (PSC) foi o 2° a ser preso, no dia 21 de outubro. Segundo a PF, ele se entregou na sede da instituição após a Justiça do estado decretar a prisão preventiva do parlamentar.

No dia 22 de outubro, o vereador Carmozino Alves Moreira (PSDC) também foi preso pela Polícia Federal. Conforme a PF, a prisão foi necessária para manutenção da ordem pública.

Dois dias depois, o presidente da câmara, Junior Donadon (PSD), foi preso em uma barreira da Polícia Federal, na BR-364. Donadon recebeu voz de prisão, e foi conduzido até a delegacia da PF em uma viatura. Depois, foi levado para exame de corpo de delito na delegacia de Polícia Civil e, em seguida, encaminhado para a Casa de Detenção do município.

Os vereadores Jaldemiro Dedé Moreira (PP), conhecido por Jairo Peixoto e Maria Marta José Moreira (PSC) estão foragidos.