“MÃE” LÚCIA CHEGANDO AO VALHALLA (*)


Parte da bancada rondoniense no Valhalla ainda tomava o café da manhã quando o jornalista Roberto Azevedo, que gosta de acompanhar, lá de cima, o que acontecia aqui pelos lados da Terra de Rondon, chegou esbaforido e foi logo dando a notícia: “A Lúcia morreu!”. De alguns distraídos ouviu a pergunta: “Que Lúcia?”. Esclarecido quem era, logo o café esfriou e as lembranças começaram a aflorar.

O colunista social Sérgio Valente e o jornalista Sérgio Melo foram avisar ao governador Jorge Teixeira, que treinava junto com Chiquilito Erse e mais outros para o Campeonato Valhalense de Basquetebol que começa mês que vem. “E quando ela chega?”, quis saber o ex-presidente do TCE José Renato da Frota Uchoa que esticava a primeira conversa da manhã com o ex-presidente do TJ Fouad Darwich Zacharias. “Ela deve estar na fila”, respondeu o jornalista Paulo Queiroz que, com o ex-membro do TCE e jornalista Rochilmer Rocha, discutia a pauta do jornal que Rochilmer instalou no Valhalla.

Rochilmer logo mandou o repórter Carlos Neves reunir a equipe para fechar a pauta em cima do grande acontecimento: a chegada de Lúcia Tereza, a primeira mulher a ser eleita prefeita na Amazônia. E vieram o Paulinho Correia, o Ivan Marrocos, o Sued Pinheiro, o Edinho Marques, e para cada um foi dada uma pauta. O Paulinho iria entrevistar personagens que aturaram com ela, ou contra, como o capitão Sílvio Gonçalves de Faria; o Ivan iria coordenar a edição; o Sued para ouvir pessoas que estavam na fila quando ela chegou e o Edinho para ouvir a expectativa dos rondonienses sobre a chegada dela.

O Walmir Miranda, como sempre, chegou atrasado e ficou encarregado de escrever um texto para a capa do jornal, e rápido porque Lúcia deveria estar com fome e seria lido no café da manhã. O PQ ficou com o editorial. E o Sérgio Melo para gravar mensagem “com a melhor voz possível”, recomendou o ex-governador Jerônimo Santana lembrando que ele próprio, na Câmara Federal, fizera vários discursos defendendo os colonos, inclusive Lúcia Tereza, que resistiram ao Incra e se mantiveram em Espigão d’Oeste.

Na sala logo após a recepção já estava, com seu violão o ex-deputado e compositor Walter Bártolo, com uma banda improvisada arrumada pelo Manelão, com músicos como Jorge Andrade e Antonio do Violão, para executar o Céus de Rondônia tão logo ela passasse a linha demarcatória.

Ao ex-deputado e membro fundador da Academia de Letras de Rondônia (ACLER)Amizael Gomes da Silva foi dada a incumbência de fazer a saudação em nome da colônia rondoniense.

“Lá vem ela!”, disse a professora Marise Castiel que chegara num grupo formado pelos intelectuais Kleon Maryan, Bolívar Marcelino e Esron Menezes (os dois também fundadores da ACLER), que já ouvira o palavrório típico da nova moradora do Valhalla. Ao ouvir o jeitão de Lúcia na passagem pela recepção e cadastro, o ex-prefeito de Guajará-Mirim Isaac Bennesby, também a seu estilo, mandou ver, provocando risos entre os presentes: “Com o respeito das damas, mas aquela filha da p… continua a mesma”.

E foi nessa hora que Lúcia pisou pela primeira vez no Valhalla e deu o troco, também a seu estilo: “P.Q.P., é mais difícil entrar do que falar com um deputado lá na Assembleia”.
Daí foi o de sempre: todos querendo falar ao mesmo tempo e até o capitão Sílvio foi lá cumprimentar a nova moradora.

(*) Na mitologia nórdica, Valhalla seria o local que os grandes guerreiros chegavam ao morrer.

LÚCIO OPINA
Lúcio Albuquerque, repórter e membro da Academia de Letras de Rondônia