O Exército Brasileiro informou nesta tarde de domingo (28), em nota, que os militares presos após serem flagrados transportando 3 toneladas de maconha em caminhão da instituição na região de Campinas (SP) nesta madrugada serão expulsos da corporação. “O Exército Brasileiro não admite atos desta natureza que ferem os princípios e valores mais caros sustentados pelos integrantes da Força. Diante da gravidade do fato, que desonra a instituição e atinge a nossa sociedade, os militares encontram-se presos e serão expulsos do Exército”, informou a instituição, por meio de seu Centro de Comunicação Social.

A instituição afirmou ainda que foi instaurado um Inquérito Policial Militar para a apuração dos fatos e responsabilidades e disse que está à disposição para apoiar as investigações.

Em nota, o Comando Militar do Oeste reiterou a abertura de um Inquérito Policial Militar e prometeu máxima prioridade para elucidação dos fatos.

Os cabos presos são Higor Abdala Costa Attene e Maykon Coutinho Coelho, que pertecem ao 20º Regimento de Cavalaria Blindado (20 RCB), de Campo Grande, Mato Grosso do Sul (MS). O terceiro envolvido no caso é Simão Raul, que fugiu após a ação e está internado em Limeira. Ele é do mesmo regimento e será detido após receber alta.

Investigação
Um caminhão do Exército carregado com drogas foi apreendido nesta madrugada de domingo (28), na rodovia Anhanguera, em Campinas, e dois militares foram presos em flagrante.


Caminhão do Exército detido na região de Campinas (Foto: André Natale/ EPTV).
Caminhão do Exército detido na região de
Campinas (Foto: André Natale/ EPTV).

Segundo a Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc), o veículo estava carregado 3 toneladas de maconha. Foram três meses de investigação até que os policiais descobriram que um carregamento de drogas chegaria a uma empresa desativada, utilizada como estacionamento, em Campinas.

Os policiais foram até o local da entrega. Algum tempo depois, os suspeitos, que estavam dentro da empresa, desconfiaram da movimentação e tentaram fugir.

Segundo o Denarc houve troca de tiros entre policiais e militares. Após o confronto, dois cabos, que estavam no caminhão, foram presos em flagrante e logo assumiram que o entorpecente estava no veículo.

Eles disseram, ainda, que haviam trazido a droga de Campo Grande (MS) e que ela seria distribuída na região de Campinas.

O caminhão apreendido tinha marcas de disparos nas portas, vidros quebrados e um pneu furado.

Mais suspeitos
Um terceiro militar suspeito de participar teria fugido e foi encontrado nesta manhã pela Guarda Municipal em Cordeirópolis (SP) com roupas do Exército e ferido.

Os guardas encaminharam o suspeito para a Santa Casa de Limeira (SP) para tratamento e acionaram a Polícia Civil. Após receber alta, ele será levado junto com os outros presos para São Paulo.

Dois civis que teriam dado apoio à ação também foram presos na região.

Dois militares estavam no veículo detido na região (Foto: André Natale/ EPTV)
Dois militares estavam no veículo detido na região (Foto: André Natale/ EPTV)
Veja a nota do Exército Brasileiro na íntegra

1. Por volta de 1:40h, do dia 28 Ago 2016, os Cabos do Exército Brasileiro Higor Abdala Costa Attene e Maykon Coutinho Coelho, lotados no 20º Regimento de Cavalaria Blindado (20º RCB), sediado em Campo Grande/MS, foram presos pela Polícia Civil de São Paulo, na Região de Campinas/SP, quando transportavam substância entorpecente, dentro de um  caminhão do Exército. Durante a abordagem policial, outro militar do Exército Brasileiro, o Cabo Simão Raul, também do 20º RCB, conseguiu evadir-se do local, mas foi capturado em seguida.

2. O Exército Brasileiro não admite atos desta natureza que ferem os princípios e valores mais caros sustentados pelos integrantes da Força. Diante da gravidade do fato, que desonra a Instituição e atinge a nossa sociedade, os militares encontram-se presos e serão expulsos do Exército. Foi instaurado um Inquérito Policial Militar para a apuração de todos os fatos e responsabilidades.

3. O Exército Brasileiro agradece, desde já, o eficiente trabalho dos órgãos de segurança pública do estado de São Paulo, colocando-se à disposição para apoiar as investigações na busca do rigoroso esclarecimento das circunstâncias que envolveram a ocorrência policial.

4. A Força Terrestre procederá minuciosa investigação na Organização Militar de onde os militares e a viatura são oriundos, com o objetivo de corrigir procedimentos de segurança, para que falhas desta natureza não voltem a ocorrer.

Do G1 Campinas e Região