Moradores que fecharam ruas há mais de 30h relatam ameaças

Moradores mantém duas avenidas fechadas desde terça, em Porto Velho. Manifestantes reivindicam retomada das obras no bairro Lagoinha.

Moradores usaram até placa da prefeitura para bloquear a Raimundo Cantuária (Foto: Toni Francis/G1)
Moradores usaram até placa da prefeitura para bloquear a Raimundo Cantuária (Foto: Toni Francis/G1)

O grupo de moradores do Bairro Lagoinha, que fazem protesto desde a manhã da última terça-feira (18), diz que passou a sofrer ameaças, inclusive com armas, por causa do protesto na Zona Leste de Porto Velho. Há mais de 30 horas, os manifestantes mantém bloqueados dois trechos das avenidas Raimundo Cantuária e Alexandre Guimarães. Eles pedem o retorno da obra de asfalto na localidade.

Através de nota, a prefeitura de Porto Velho informou que a paralisação da obra aconteceu devido à falta de material, mas que a pavimentação asfáltica será retomada assim que uma nova licitação for feita.

Moradores dizem que só acabarão com o protesto quando a prefeitura retomar as obras Foto: Toni Francis/G1)
Moradores dizem que só acabarão com o protesto
quando a prefeitura retomar as obras
Foto: Toni Francis/G1)

A técnica de enfermagem Eugênia Santana Andrade, uma das líderes do movimento, diz que uma mulher ficou inconformada com o bloqueio de uma das vias e foi embora esbravejando palavras de baixo calão, prometendo que voltaria para matar quem estivesse no protesto.
“Fiquei com medo, mas não posso deixar de exercer meu direito de cidadã”, comentou, dizendo que se sente insegura, mas que não sairá do local.

Na esquina da Avenida Raimundo Cantuária com Alameda Nogueira, onde está concentrado um dos bloqueios da via, um homem chegou a mostrar uma arma para os manifestantes para forçar a passagem de moto.

“Tivemos que abrir para ele passar”, disse uma dona de casa que não quis se identificar. Segundo ela, o homem estava na garupa de uma moto e, quando se aproximou do bloqueio, levantou a blusa e mostrou a arma.

Uma viatura da Polícia Militar (PM) passou pelo local. Dois policiais orientaram os manifestantes a não porem fogo nos entulhos que bloqueiam a pista. “Eles disseram que se pormos fogo, o Corpo de Bombeiros virá apagar”, disse um morador.

Buracos impedem trânsito de carros e ameaçam a segurança de moradores (Foto: Toni Francis/G1)
Buracos impedem trânsito de carros e ameaçam a segurança de moradores (Foto: Toni Francis/G1)

O protesto
Desde a manhã da última terça-feira, duas importantes vias, que ligam a região central à Zona Leste de Porto Velho, foram interditadas por um grupo de moradores do Bairro Lagoinha. Eles exigem a retomada das obras de asfalto e saneamento na região, que pararam há pouco mais de duas semanas.

Segundo um morador, o eletricista Cleomens Vieira, de 45 anos, as máquinas que faziam os trabalhos na região foram retiradas do local pela Secretaria de Obras do Município (Semob) há pouco mais de duas semanas. “Foi logo após o primeiro turno das eleições”, afirma.

Moradores reclamam de lama, buracos e galerias de esgoto que impedem o trânsito em duas ruas. “Não tem iluminação nem sinalização na região. Muitas crianças, ciclistas e motociclistas já caíram dentro das galerias de esgoto. É um risco à vida”, alertou a técnica de enfermagem Eugênia Santana Andrade.

Outro lado
Em nota subscrita pelo titular da pasta, Ricardo Fávaro, a Secretaria Municipal de Obras (Semob) informou, nesta quarta-feira (19), que a paralisação dos trabalhos no bairro Lagoinha 2, na região Leste de Porto Velho, ocorreu por falta de manilhas para concluir a drenagem. Segundo o poder executivo, devido à grande quantidade de obras, em vários pontos da cidade, realizadas pela gestão municipal, a empresa contratada como fornecedora não deu conta de atender a demanda.

Uma nova licitação para compra de manilhas será realizada pela Secretaria Municipal de Administração (Semad) para que a obra seja concluída. A Semob diz que vai continuar com os trabalhos de preparo de base e sub-base nos trechos onde a drenagem foi finalizada para que as vias sejam asfaltadas posteriormente.