A Rede Globo apresenta sábado pela manhã um (bom) programa que sempre leva o telespectador a ficar na expectativa: “Como será?”. A mesma frase interrogativa pode ser considerada quando temos pela frente algo novo, porque muitas vezes esse “novo” está propondo uma mudança de costumes, o que pode mudar a prática comum que mantém e é exercitada pelo establishment.

Há um dito que “juízes pensam que são deus”. E outro, mais forte: “Jornalistas têm certeza”. Há casos, e não estão acontecendo apenas na atual campanha presidencial, em que o cidadão que se identifica como jornalista foge de qualquer norma ética para ejetar questões de interesse comporativo ou pessoal.

Fato comum desse tipo de “jornalismo” vem sendo visto atualmente em entrevistas com presidenciáveis, e o mais visado tem sido Bolsonaro, certamente porque tenha dois fatore que uma parcela considerável, e bota “considerável” nisso, de jornalistas não estejam acostumados Primeiro porque responda e deixando quem pergunta e a seus veículos em “saia justa”; segundo, porque peguntadores estão acostumados a que entrevistados digam o que querem ouvir e não serem contestados.

É inegável a força que a Imprensa tem, e mais ainda os chamados “grandes veículos”, de venderem a “verdade verdadeira”. Lembram do caso da “Escola Base” e do “Ministro das Bicicletas”?. Apenas dois casos para mostrar quando a Imprensa, especialmente veículos “grandes”, atuam no descaminho do que se pretende ser jornalismo.

Há alguns dias o candidato Bolsonaro foi sabatinado pelo programa Roda Viva, que em outras épocas era realmente um programa para fazer parte do roteiro de quem gosta desse tipo de jornalismo. Mas no que concerne ao que me refiro, a ideia que ficou foi de um grupo de membros de partidos que disputam a eleição contra Bolsonaro, buscando reduzir seu potencial junto ao eleitor, e o candidato, que não é “politicamente correto” (como a cartilha de seus entrevistadores)deixando cada um deles “segurando no pincel”.

Mas naquele programa, e logo a seguir no da Globo News, o alcance não foi tão grande, até por causa dos horários e de ambas audiências não serem grandes.

Esta semana dentro de sua programação de ouvir os presidenciáveis, o Jornal Nacional levou Bolsonaro. Aí, a audiência, que já é gigantesca, cresceu mais ain da e muita gente que conheço, e que costuma dizer que não assiste “tv aberta”, mudou o canal para ver a entrevista.

A do Jornal Nacional, claro, deu uma repercussão muito maior. E o que se viu foi mais gente comentando a “saia justa” que os dois âncoras levaram do candidato e, ainda mais, porque repetiu o que já dissera na Globo News, com relação a jornalistas que atuam como pessoas jurídicas.

Ao final, com o JN indo mais adiante, foi lida a nota da Globo, que a Miriam Leitão havia repetido, vírgula a vírgula, enquanto alguém ditava a ela pelo ponto eletrônico, na vez anterior. Uma nota que contradisse tudo o que, quase 50 anos havia sido airmado pela própria empresa, justamente uma empresa citada como tendo crescido muito nos áureos tempos que, meio século depois, queria renegar.

É o tal “efeito boomerangue”. Ou, como diz o dito popular, “quem tem telhado de vidro não joga pedra no telhado dos outros”.

Considere-se dito!

LÚCIO OPINA
Lúcio Albuquerque, repórter e membro da Academia de Letras de Rondônia