Há um episódio na Bíblia Sagrada envolvendo Jesus e seu amigo Pedro que me causa impressão e me ensina valiosas lições.

Trata-se da noite em que Jesus foi preso e julgado injustamente pelos judeus, é um momento crítico na vida daquele que só fez o bem e promoveu a paz, um momento de angústia e de dor, para aquele que levou o alento e a esperança, que curou os enfermos e limpou os leprosos, que pregou as boas novas de salvação aos pobres e alimentou as multidões.

Jesus havia advertido solenemente Pedro que naquela noite, ele haveria de negá-lo por três vezes.

Pedro seguia Jesus de longe, mas observava tudo, e por três vezes foi interpelado acerca da sua fé e da sua amizade com o Senhor Jesus. Na primeira vez o negou, o mesmo aconteceu na segunda vez, e finalmente na terceira e última vez, Pedro nega novamente o seu mestre e amigo. Naquele exato momento Jesus olha diretamente para Pedro, e Pedro se retira do local chorando amargamente.

O que me intriga nessa história toda é: O que dizia o olhar de Jesus?

Era um olhar de reprovação? (Era um olhar como quem diz: eu não te falei? eu não te avisei? eu não te adverti?), Era um olhar de censura? Era um olhar de condenação? Era um olhar que apontava para a derrota daquele discípulo?

Na verdade, o olhar meigo do nazareno dizia para Pedro: Eu te compreendo, eu te entendo, conheço as tuas fraquezas, sei dos teus erros e das tuas limitações, mas eu escolhi te amar mesmo assim.

Nos nossos dias, Jesus continua a nos olhar, e o seu olhar encerra amor, e compreensão. Seu olhar nunca é de condenação, mas de misericórdia e bondade.

Não desista, não olhe para trás, não chore tanto, não fique desapontado consigo mesmo, olhe para Jesus e perceba o quanto Ele te ama.

Carlos Alberto Menezes da Costa

O autor é administrador, teólogo, pós graduado em metodologia do ensino superior e palestrante.