Que o trabalho, de policial-militar ou de bombeiro militar, é importante, disso ninguém discute, e não há como deixar de lado a importância daquele cidadão que, no cumprimento de sua obrigação profissional, muitas vezes coloca em risco sua própria vida em defesa da vida e dos bens de outros, mas quando a Assembleia Legislativa está próxima de realizar uma mega homenagem a mais de 150 PMs ou bombeiros militares, então a coisa muda de figura.

Há algum tempo, e especialmente na atual legislatura, sob patrocínio de deputados mais preocupados em agradar “a” ou “b”, estão acontecendo festivais de entrega de comenda legislativa ou de menções “de aplauso” ou similar, com tanta gente sendo homenageada que o contribuinte começa a pensar, e com razão, que seu dinheiro está sendo jogado fora.

Esta semana a Assembleia está começando a analisar, com muitas chances de aprovar, proposta do deputado Jesuíno Boabaid concedendo moção de aplauso a uma quantidade tão grande de cidadãos, a maioria policiais-militares ou bombeiros, que se todos forem entregues na mesma sessão não há como realizar no plenário da Assembleia daí que já há a sugestão de que, para tal, seja solicitado o Palácio das Artes, com suas 1 mil cadeiras e mais 200 na parte alta chamada, também, de galeria.

Quando o então governador Ivo Cassol determinou que fosse concedida a Ordem do Mérito Marechal Rondon a uma grande quantidade de agraciados, contra isso se posicionou a Academia de Letras de Rondônia lembrando que tal fato estava desonrando a própria comenda o que, a partir de sugestão dos acadêmicos ao então presidente do Conselho da Ordem o chefe da Casa Civil Juscelino Moraes, houve uma mudança nas normas de concessões que o governador Confúcio Moura vem respeitando o que voltou a valorizar a comenda.

É o que precisa ser feito com a distribuição de homenagens por parte da Assembleia Legislativa, banalizando e diminuindo o que seria para uma homenagem do estado, porque a Assembleia é estadual, porque um deputado entende, e leva os outros de roldão, que agindo de tal forma está agregando voto, preocupado não com a representatividade de seu mandato e o ridículo ao qual expõe o poder do qual faz parte, mas com receber aplausos fáceis.

Repete-se: nada contra os homens e mulheres que arriscam suas vidas em defesa das vidas e bens dos outros. Mas é preciso que o deputado proponente não submeta o poder do qual faz parte e seus próprios homenageados ao ridículo.

LÚCIO OPINA
Lúcio Albuquerque, repórter e membro da Academia de Letras de Rondônia