Um sentimento que assola a humanidade do presente século se chama solidão. De início parece ser uma afirmativa equivocada, contudo, reflete a pura realidade de uma sociedade repleta de informações, e estas, em quantidade que em outros tempos seria inimaginável conceber. Ainda assim, tais informações são insuficientes para ocupar o espaço que é reservado exclusivamente para relacionamentos interpessoais. Digo isto porque relacionamentos virtuais não cumprem o papel que somente a presença pode realizar.

Tendo por base uma formação Cristã, posso dizer que a solidão é construída a partir da quebra de princípios estabelecidos pelo Criador, que em Sua Palavra afirma que “Não é bom que o homem esteja só” (Gênesis 2:18). O entendimento sobre auxílio, companheirismo, amizade etc., muitas vezes tem sido deturpado e adotado como sendo alguém que lhe fará algo, que lhe beneficiará com alguma atitude, independentemente de qualquer contrapartida. Penso que aí se situa o ponto de ruptura, que levará homens e mulheres ao isolamento e à solidão.

Para entender o companheirismo tão necessário nas relações humanas, tendo como modelo o relacionamento conjugal, importante é que cada pessoa olhe para ou outro como sendo superior a si mesmo, e com isto se disponibilize a servir. É na simplicidade do serviço ao outro que está a realização. À luz da Palavra esta verdade necessita ser praticada. Ocorre que aprendemos a ser servidos com maior facilidade que servir. Afinal de contas, no “ser servido” reside uma acomodação e um comodismo prático e egoísta.

Tal egoísmo é resultado do ambiente que vivemos, onde se apregoa a independência e a autoconfiança independente dos demais sentimentos e valores éticos e morais que permeiam as relações humanas. Não considerar o outro como superior a si mesmo, conduz o homem e a mulher do presente século à um distanciamento e isolamento das relações reais. O fim é a solidão, um isolamento social que atrai diversos males físicos e emocionais. Ainda que alguns possam dizer que estar só é a condição de todos os seres humanos, tal afirmativa jamais será maior que a afirmativa do Criador da humanidade, que orienta para uma vida em parceria contínua e recíproca no cuidado um com ou outro.

Quebrar princípios estabelecidos pelo Criador, é atrair para si os males que se vê ao redor, no cotidiano das pequenas e grandes cidades. Contudo, enquanto há vida, há esperança. Fica o convite, para que homens e mulheres tomem para si a Palavra, como regra e fé e prática de vida, e retomem o caminho, para que tenham vida e esta lhe seja abundante

Rita Urizzi

A autora é Educadora, Pesquisadora, Licenciada em Pedagogia; Especialista em Administração e Gerenciamento e Docência no Ensino Superior. Possui experiência de mais de 30 anos em Assessoramento Parlamentar, atuando nas áreas de Planejamento e Coordenação de equipes, para prestação de serviços ao setores Público e Privado.