Professor que chamou palestrante de ‘sapatona doida’ é afastado

Unir vai apurar possível transgressão de conduta ética do professor. Comissão processante terá 60 dias para concluir os trabalhos.

Docente Samuel Milet da Unir foi afastado por 60 dias (Foto: Reprodução/Facebook)
Docente Samuel Milet da Unir foi afastado por 60 dias
(Foto: Reprodução/Facebook)

A Reitoria da Universidade Federal de Rondônia (Unir) anunciou na terça-feira (1º), o afastamento do professor Samuel Milet do exercício do cargo pelo prazo de 60 dias.

Conforme a instituição, o afastamento é cautelar, para que o docente não interfira na apuração das irregularidades que lhe são atribuídas no Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que foi instaurado na última segunda-feira (31).

Samuel Milet ficou conhecido nacionalmente depois que uma de suas aulas foi gravada e o áudio foi parar nas redes sociais. Na gravação, durante uma fala de cerca de doze minutos, o professor utiliza várias expressões ofensivas ao se referir a uma palestrante da Universidade de Brasília (UnB) que tratou sobre gênero e aborto durante a Semana de Direito que ocorreu no campus de Porto Velho.

O professor tentou minimizar a situação em um vídeo, dizendo que é a favor da vida e da moral, mas no áudio, gravado por uma aluna, ele denota bem mais que isso. (ouça abaixo)

 

Ao falar sobre a palestra ‘Por que é preciso falar de gênero no direito?’, ministrada pela doutoranda Sinara Gumiere, Samuel Milet usou termos como ‘vagabunda’, ‘bostinha’ e outros adjetivos considerados pelos alunos e manifestantes como misóginos, sexistas e machistas.

As medidas determinadas pela Reitoria da Unir atendem a solicitação da Comissão Permanente de Procedimentos Disciplinares (CPPROD) da Universidade e a recomendação do Ministério Público Federal (MPF) e de outras quatro instituições federais e estaduais. De acordo com a Unir, a Comissão Processante terá 60 dias para concluir os trabalhos.

A Universidade explica que, por meio da Comissão de Ética, no dia 24 de outubro de 2016 já havia se manifestado sobre a denúncia e divulgado o início da apuração da possível transgressão de conduta ética do professor Samuel Milet. Desta forma, paralelamente ao PAD, a Comissão de Ética deve continuar o trabalho em caráter sigiloso.

Entenda o caso
Após a palestra ‘Por que é preciso falar de gênero no direito?’, ministrada pela doutoranda Sinara Gumiere em Porto Velho, o professor da Unir Samuel Milet se referiu a palestrante de forma ofensiva. Com a recolta dos alunos, o próprio professor autorizou que uma aluna gravasse seus comentários em sala de aula, que repercutiram negativamente.

Por telefone, Samuel Milet disse que autorizou a gravação, mas alega que o áudio está fora de contexto. Dizendo-se defensor da vida e da família, o professor explica que apenas posicionou-se contra a descriminalização do aborto e opinou contra a ideologia de gêneros.

Um abaixo assinado online foi realizado e continha mais de seis mil assinaturas até o último dia 25. Manifestos contrários ao professor também foram emitidos pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Comissão da Mulher e Comissão da Diversidade Sexual da OAB de Rondônia, pela Federação Nacional de Estudantes de Direito, do Centro Acadêmico de Direito da Universidade de Brasília, pelo Grupo de Pesquisa e Extensão sobre Gêneros, Discursos e Comunicação na Amazônia Ocidental (Hibiscus-Unir-Vilhena), pelo Coletivo Feminista Maria-Cavaleira, pelo Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade de Brasília, pela Defensoria Pública do Estado de Rondônia e pelo deputado federal Jean Wyllys do Partido Socialismo e Liberdade (PSL), do Rio de Janeiro. Todas as manifestações estão compiladas na rede social com o nome ‘Isso não é Direito’.