Cento e doze presos fugiram do maior presídio do Amazonas durante a rebelião violentíssima de domingo (1º). Em 16 horas, 56 detentos morreram.

Só com a situação no presídio controlada é que os carros do Instituto Médico Legal puderam entrar para contar os mortos nesta segunda-feira (2) de manhã. Parentes dos presos aguardavam na estrada de acesso a unidade prisional. Ainda sem informações.

A rebelião no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, o maior do Amazonas, começou no domingo (1º) às 18h, no horário de Brasília, uma hora depois de uma fuga de 87 presos no Instituto Penal Antônio Trindade, que fica ao lado. Presos do regime fechado fizeram um buraco na parede e invadiram a galeria que abrigava presos rivais; 12 funcionários foram feitos reféns.

Pelo rádio da polícia, um policial militar pedia mais viaturas por causa de tentativas de fugas de detentos: “Muitos pulando aqui do lado do semiaberto. As viaturas têm que manter, que pode ter muito preso aí ainda do outro lado da muralha, tentando pular”.

Em uma foto, os presos aparecem dentro de uma cela armados com facões, espingardas e pistolas. Eles trocaram tiros com os policiais: “Todo mundo armado trocando tiro com a Rocam. Tem três viaturas aqui. Uma da força tática e duas da Rocam. Copiou? Vão pra lá. Vão pra lá”.

A polícia montou barreiras para evitar a aproximação. Representantes da Secretaria de Segurança e da Ordem dos Advogados do Brasil negociaram o fim do motim. Depois de 16 horas de rebelião, os presos entregaram as armas e liberaram os reféns.

Pelo menos 56 presos foram mortos durante a rebelião no Complexo Penitenciário Anísio Jobim naquilo que, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, foi uma guerra entre facções rivais que disputam o domínio do tráfico de drogas no estado.

Foi o pior massacre em presídios brasileiros desde 92, quando a Tropa de Choque de São Paulo invadiu a Casa de Detenção do Complexo do Carandiru para conter uma rebelião; 111 presos foram assassinados na ação.

Dez anos depois, presos invadiram os pavilhões que abrigavam detentos ameaçados de morte no Presídio Urso Branco, de Rondônia: 27 detentos mortos.

Em 2004, uma rebelião deixou 30 mortos na Casa de Custódia de Benfica, no Rio de Janeiro.
Em 2013, 13 presos morreram numa rebelião no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão.