Reflexões em face do imediatismo humano – por Rita Urizzi

Quando se olha à volta, se pode observar no cotidiano de uma cidade, vidas que se movimentam com os mais variados objetivos. Do anoitecer ao amanhecer, os seres humanos se entregam numa frenética roda viva, justificando suas ações mediante informações repassadas de pais para filhos, e que, de certa forma, alimentam seus sonhos e projetos, e que atingem as diversas áreas das relações humanas.

Ocorre que, uma ausência reflexiva mais profunda, característica do imediatismo que norteia o presente século, faz com que todos, homens e mulheres, se ajustem às rotinas sem maiores convicções de seus potenciais e da real necessidade para cada uma de suas ações. Trata-se de um ciclo repetitivo, o qual somente seria interrompido, a partir de decisões ousadas, as quais iriam requerer mudanças de hábitos, para as quais a grande maioria não está preparada.

Importa que, diante da diversidade humana e da necessidade de ações que culminem em benefícios à sobrevivência, virtudes e defeitos estarão sempre presentes em cada um, orientando e concedendo aos homens a rica oportunidade de se aceitarem com suas limitações, além de oportunizar uma reflexão sobre a vida em si mesma, insubstituível e valiosa, sobretudo, que se enalteça sempre mais as virtudes que os defeitos de seus semelhantes.

Uma determinação para aceitar ou outro, da forma como ele é, passa por critérios intrínsecos à formação ética e moral do ser humano. Com virtudes e defeitos, a humanidade se constrói, se completa e interage em busca da aceitação e realização pessoal. Em outras palavras, ninguém em sã consciência, em suas relações sociais, a começar pela vivência familiar, deseja a rejeição. Ninguém almeja ser lembrado ou mencionado por suas imperfeições, senão por suas virtudes.

Vamos procurar olhar o outro como uma parte de nós mesmos. A humanidade, somente assim pode ser denominada, exatamente pelo convívio coletivo. Como considerar o “ser” como um humano, se não houver a experiência da interação entre os mesmos? Daí decorre a necessidade de dia após dia, buscar os meios mais eficazes para o exercício da tolerância, do respeito e da valorização da vida.

Rita Urizzi

A autora é Educadora, Pesquisadora, Licenciada em Pedagogia; Especialista em Administração e Gerenciamento e Docência no Ensino Superior. Possui experiência de mais de 30 anos em Assessoramento Parlamentar, atuando nas áreas de Planejamento e Coordenação de equipes, para prestação de serviços ao setores Público e Privado.