Todo lugar decente, civilizado, desenvolvido e amado pelo seu povo tem a sua retrospectiva dos últimos 365 dias. Talvez por isso, Rondônia não tenha nenhuma lembrança. Tem apenas a repetição dos fatos, pois tudo o que aconteceu em 2018 por aqui foi apenas a reincidência pura e simples do que já havia acontecido no ano anterior. Como numa rotina macabra, nenhuma novidade apareceu no ano que ora se encerra e que não já tivéssemos visto antes. A ponte do rio Madeira, por exemplo, continuou em 2018 inútil, fatal e escura feito breu, apesar das inúmeras promessas dos políticos para iluminá-la. Os viadutos imprestáveis e íngremes da cidade continuaram causando engarrafamentos e só serviram neste ano para que se fizessem lá uns desenhos mal feitos, travestidos de arte, em meio ao mato e à sujeira. Só para impressionar otários.

O “açougue” João Paulo Segundo de Porto Velho continuou como sempre sendo um campo de extermínio de pobres. Em Rondônia, as pessoas das classes baixas principalmente continuaram morrendo feito insetos, jogadas no chão dos hospitais públicos. A cidade de Porto Velho foi a latrina de sempre. Uma pocilga infecta, sem esgotos e praticamente abandonada pelos administradores, uma vez que as autoridades em vez de cuidar da capital, passaram mais tempo viajando para o primeiro mundo. Na política não houve nenhuma novidade: o tosco do eleitor rondoniense continuou elegendo ladrões, bandidos e malfeitores e a Justiça diplomando-os normalmente. A própria Assembleia Legislativa do Estado concedeu aos deputados no final deste ano que se encerra um aumento generoso. O povo como sempre ficou à míngua e esquecido.

Uma das únicas coisas boas que aconteceram em 2018 foi a derrota do Brasil na Copa do Mundo da Rússia. Nossos fracos e ricos jogadores levaram um baile da competente seleção belga e voltaram mais cedo para casa. Um alívio. O ano mostrou que o Brasil não manda mais no futebol. Enquanto isso, eu continuei por aqui a escrever meus textos. Em 2018 foram exatos 112 no total. Com cinco ou seis leitores apenas, tive a permissão de vários sites locais para expor a minha opinião. E se tudo der certo, a censura e o obscurantismo não voltarem e também para a tristeza de muita gente, devo continuar em 2019 a dar aulas e a produzir textos expondo a minha verdade aos leitores. Numa sociedade de cidadãos ignorantes, reacionários, sem leitura de mundo e iletrados sempre é bom ter uma opinião divergente. No ano de 2018 a opinião ainda foi livre.

Porém, o ano serviu para muitos dos eleitores acharem que eram os protótipos da mudança no Brasil. Em massa e guiados por um “estranho e direcionado sentimento antipetista” elegeram os novos governantes do país sonhando que eles serão a partir de agora a “panaceia milagreira” que fará jorrar mel e leite das ruas. Uma guinada à extrema-direita foi o resultado das eleições que nos dividiram em esquerda e direita. A TV Rondônia continuou a exibir o Jornal Nacional com uma hora de atraso durante o horário de verão, a rodoviária continuou suja e imunda e o aeroporto “internacional” de Porto Velho não fez um só voo para fora do país. Mas em 2019 haverá retrospectiva, pois os fatos vindouros poderão nos levar a ser uma das maiores piadas da humanidade. Sem perspectivas, o correto seria desejarmos um feliz 2017 para todos, pois a partir de 2019 provavelmente a miséria, o atraso e a desgraça serão nossas parceiras inseparáveis.

*É Professor em Porto Velho
http://blogdotionaza.blogspot.com