O filósofo grego Platão (427-347 a.C.) dedicou grande parte de seu pensamento ao estudo da Política.

Também pregou que conhecer era, de certo modo, recordar.

Sobre isso descreveu que o filósofo Sócrates(470-399 a.C.), de quem foi discípulo, pegou um escravo ignorante e, através de perguntas habilmente formuladas, fez com que este descobrisse a demonstração do teorema de Pitágoras.

Para Platão, essa seria uma prova de que a alma, antes de encarnar, havia visto o mundo supremo das ideias e mantinha, em forma oculta, esse conhecimento.

O grande acontecimento da mocidade de Platão foi o encontro com Sócrates.

Considerava-o “o mais sábio e o mais justo dos homens” e, por isso, ampliou seu desencanto com os políticos atenienses quando viu Sócrates ser acusado, por eles, de corromper a juventude difundindo ideias contrárias a religião tradicional, sendo condenado a morrer, bebendo cicuta.

As obras de Platão, escritas sob a forma de diálogo, marcaram as bases da civilização ocidental, influenciando o cristianismo em seu início.

Seus primeiros diálogos constituem defesas que Platão fez de seu mestre.

Mais adiante, em Fédon, diálogo no qual Platão descreve os últimos instantes de vida e as últimas conversações de Sócrates, pouco antes de beber cicuta, encontramos:

“Existe, contudo – prosseguiu Sócrates – ao menos uma coisa em que seria justo que todos vós refletísseis: se a alma é de fato imortal, se faz necessário que zelemos por ela, não só durante o tempo presente, que denominamos viver, mas ao longo de todo o tempo, pois seria grave perigo não se preocupar com ela.”

Lendo estes pensamentos de aproximadamente 2400 anos, às vésperas de mais um dia de finados, é difícil não aflorar nosso lado mais místico.

Estaremos, com maior intensidade, lembrando os nossos mortos e o quanto eles representam para a nossa existência.

Nesse sentido, recomendo a leitura da interessante reportagem sobre o Sudário de Turim, da revista Galileu, Editora Globo.

O Sudário de Turim, uma peça de linho que a tradição diz ser o lençol mortuário de Jesus, passou por mais uma bateria de testes que confirmou sua autenticidade.

A fé dos cristãos já apontava para isso, mas as constatações da ciência sempre colaboram para balançar os mais céticos.

Na reportagem, o que mais intriga é descobrir como foi produzida a imagem que aparece no Sudário.

A Galileu mostrou que a figura só ocorreria se, numa fração de segundo, o corpo tivesse emitido um clarão equivalente ao da luz solar ou de uma explosão nuclear, como a da bomba de Hiroshima.

A luz teria emanado do corpo, chamuscando o pano, estampando a imagem que seria de Jesus Cristo.

Impressionante, não é mesmo?

Tantos mistérios que povoam os pensamentos, antes e depois de Cristo, parecem empurrar os homens para a verdade.

Pôncio Pilatos perguntou a Cristo:

“Quid est veritas? Que é a verdade?”

Formulou a pergunta e ausentou-se, desinteressando-se, ao que parece, da resposta.

Não procurou ouvir, adotando assim uma conduta previsível.

Pilatos era um político.

Ao espantar-se com a dúvida, transferiu sua decisão ao povo ensandecido.

E lavou as mãos.

celsoCelso de Almeida Jr
Empresário do setor educacional e especialista em processos gerenciais. Colaborador do CanalR1, mantém o blog Letras do Celso Visite:  www.letrasdocelso.blogspot.com