Na Copa que acabou, a primeira desde 1958 que eu não tinha que trabalhar, decidi fazer uma coisa que não gosto, e poucos podem alegar o contrário: assistir futebol. Vi no mínimo uns 20 jogos, o que em minha cota representa que já assisti futebol pelos próximos quatro anos, talvez mais.

Mas porque não tenha a paixão pelo “esporte bretão” como sei que têm muitos milhões de brasileiros, uma espécie de “unanimidade nacional” (Nelson Rodrigues, fanático por futebol dizia ser “burra a unanimidade”), é que me permito observar além do que a paixão permite aos que gostam do esporte.

Mesmo do voleibol, que é minha primeira preferência esportiva, mantenho o mesmo tratamento: permito-me sempre a visão crítica. Voltando ao futebol lembro que na Copa do Mundo de 1986 o Zico perdeu um pênalti e o Brasil voltou mais cedo para casa. Temos aquele caso de 1998 que, vira e mexe, aparece uma nova teoria conspiratória, como na Copa da Rússia, onde circulou uma nota (fake?) citando que a derrota para a Bélgica teria sido negociada. Minha vida de repórter ensinou a não ir atrás de boatos. Prefiro o fato apurado.

Mas tivemos alguns fatos que devem merecer além do bate-boca pelas chamadas “redes sociais”. Creio que mais do que os rolamentos do Neymar há outros assuntos. Um deles a necessidade do país deixar de parar porque o time de futebol esteja jogando no horário. Quanto custa ao país suspender serviços públicos, inclusive aulas , e empresas fecharem para que a “pátria de chuteiras” entre em campo, deixando mais de 200 milhões de pessoas em estado de histeria coletiva?

Num país multirracial, onde de forma lamentável está sendo visivelmente implantada uma espécie de política similar ao apartheide que imperou na África do Sul, tivemos nessa Copa um típico exemplo de idiotice: citações raciais envolvendo o jogador Fernandinho.

Autor de um dos gols – contra o Brasil – no jogo em que a “família Tite” foi mandada para as colendas, o atleta do Manchester City acabou literalmente crucificado: acusado por racistas, e outros que se escondem debaixo das sombras permitidas pelas “redes sociais” porque uma bola bateu em seu corpo e a Bélgica iniciou ali o carimbo de volta da pentacampeã.

“Ah! Mas no tempo do Zico não tinha rede social”, dirão alguns ou, então, “quando Paulo Rossi mandou o Brasil, todo badalado, de volta em 1982 também não tinha”. Não defendo controle ao direito de expressão e ao livre pensamento, mas sou contra manifestações como as que envolveram o tal lance infeliz. Um lance que aconteceria com qualquer um que estivesse em campo – na final um jogador da Croácia marcou contra seu time, e os croatas perderem o campeonato. No Brasil, críticas contra um atleta, envolvendo até sua família pelo típico “acidente de trabalho”.

Temo, sinceramente, que o Brasil não tenha aprendido com o que aconteceu com o zagueiro colombiano que em 1994 fez um gol contra e causou a eliminação do país na Copa- no retorno a seu país, pagou com a vida o acidente de trabalho, o mesmo que acontece quando dentro da pequena área o atacante, bola dominada e goleiro batido, chuta para fora, e várias vezes aconteceu nesta Copa, inclusive no jogo com a Bélgica.

Sou dos que costumam, após um trabalho feito, analisar e ver mais os erros que os acertos. Está na hora, e não só da CBF, dos que gostam de futebol deixarem de lado a paixão sem limites e irracional, para ver que, ao contrário do futebol brasileiro, os outros andaram para a frente. Tanto que nem cabe, e há muito tempo, a frase de que “O futebol brasileiro só evoluiu da boca do túnel para o campo”.

Chegamos ao estágio que, faz muito tempo, o nosso futebol já deixou de registrar evolução, até “da boca do túnel para o campo”. Como muitas coisas neste país temos um processo de involução crônica. Na Educação, na Saúde, na gestão pública, no respeito ao cidadão e à cidadania, e nem tudo, é bom que se diga, seja em razão do péssimo exemplo de nossas autoridades públicas e políticas.

Um país que deixou de investir na Família, na Educação e em princípios éticos, não pode se dar a luxos que no Brasil se dá. Daí minha grande dúvida de que as lições desta copa não serão aprendidas e praticadas.

Aliás, nem serão motivos para avaliação séria.

DATAS DE RONDÔNIA – Julho

Dia 19 – 1991 – O Congresso Nacional aprova a Lei 8.210 criando a Área de Livre Comércio de Guajará-Mirim (Tereza Chamma, Cadernos de Guajará-Mirim)

Dia 20 – Em 1917 – O conselho Municipal (Câmara) aprovou Lei doando à diocese do Amazonas uma área para construção da catedral de Porto Velho, autorizando o superintendente a usar verba pública para construir a praça em frente à igreja (Abnael Machado de Lima, Porto Velho – de Guapindaia a Roberto Sobrinho).

Dia 22 – em 1961 – O seringueiro Gabriel registra num cartório de Porto Velho a UDV – União do Vegetal, oficializando o que mais tarde passou a ser chamado por alguns de seita e, por seguidores, de religião (Montezuma Cruz, em gentedeopiniao.com.br).

Dia 24 – Em 1947 – O governador Joaquim Vivente Rondon cria o jornal O Guaporé, semanal, para ser uma espécie de Diário Oficial do Território, órgão que foi extinto no ano seguinte (Antonio Cantanhede, Achegas para a História de Porto Velho).

Dia 24 – Em 2009 – A Câmara ji-paranaense cria oficialmente os distritos de Nova Colina e Nova Londrina, naquele município (Revista Ji-Paraná e suas histórias)

Dia 25 – Em 1873 – Instalação da Mesa de Renda Alfandegada do Estado de Mato Grosso na localidade de Santo Antonio (Vitor Hugo, Cinquenta anos do Território Federal do Guaporé).

Dia 25 – Em 1961 – Criada, pelo Decreto 51.024 a Rebio/Ji-Paraná – Reserva Biológica de Ji-Paraná (João Vilhena, Retalhos da História de Ji-Paraná)

LÚCIO OPINA
Lúcio Albuquerque, repórter e membro da Academia de Letras de Rondônia