Em Boa Esperança, Minas Gerais, testemunhei uma ação magnífica do prefeito eleito para a gestão 2017-2020.

Às vésperas da posse, Hideraldo Hema anunciou o secretariado.

Até aí, normal.

O diferencial foi assinar com seus colaboradores um termo com os seguintes compromissos:

1) Cumprir a Constituição da República Federativa do Brasil, a Constituição do Estado de Minas Gerais e a Lei Orgânica do Município de Boa Esperança.

2) Implantar na Administração Pública a Cultura do Rigor alicerçada na Gestão de Alto Desempenho, na Disciplina Orçamentária, na Ética e na Harmonia.

3) Construir com o funcionalismo, num prazo de 100 dias, sob mediação da Controladoria Municipal, um Código de Conduta que evidencie os seguinte princípios constitucionais: Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade, Eficiência e Transparência Administrativa.

4) Agir, balizado no seguinte pensamento de Rubem Alves:

Todo jardim começa com um sonho de amor.
Antes que qualquer árvore seja plantada
ou qualquer lago seja construído,
é preciso que as árvores e os lagos
tenham nascido dentro da alma.

Quem não tem jardins por dentro,
não planta jardins por fora
e nem passeia por eles…

Bela atitude do novo prefeito e sua equipe.

Reforça que não adianta pregar novas ações se isto não estiver consolidado no íntimo de cada participante.

Ainda mais neste instante, em que muitas denúncias de irregularidades no município têm levado ao afastamento e até a prisão de servidores.

Ao se comprometer em construir um Código de Conduta com todo o funcionalismo – consolidando primeiro “os jardins por dentro” – é grande a probabilidade de bons frutos serem colhidos.

Absorvido pelo tema, vejo as notícias de que governo federal cancelou nesta semana uma licitação para a compra de alimentos de alto padrão para abastecer o avião do Presidente da República.

Sorvetes de marcas famosas, sucos, pães especiais, refeições com entrada, prato principal e sobremesas, cápsulas de café, sanduíches, entre outros itens, gerariam gastos superiores a R$ 1,7 milhão.

Originalmente prevista para 2 de janeiro, a licitação definiria a empresa responsável pelo serviço de bordo por um ano.

O ministro da Casa Civil disse que houve “orientação presidencial” para o cancelamento do pregão, logo depois que a grande imprensa divulgou o assunto.

Auxiliares de Temer dizem que a licitação foi estabelecida pela Secretaria de Governo e pelo Gabinete de Segurança Institucional, sem consulta a escalões superiores.

Pois é…

A atitude mostra o distanciamento do “alto comissariado” da dura realidade do país.

Imaginando que o presidente não soubesse da lambança, assessores muito próximos sabiam e não tiveram o zelo de alertar.

Não estão sensíveis ao drama econômico que o país atravessa.

Não construíram “os jardins por dentro”.

Como se vê, o singelo exemplo da pequena e bela cidade de Minas Gerais precisa chegar ao Planalto.

Um inteligente sinal de partida válido para todos os níveis, em todos os tempos.

Que assim seja em 2017.

Feliz Ano Novo!!

celsoCelso de Almeida Jr
Empresário do setor educacional e especialista em processos gerenciais. Colaborador do CanalR1, mantém o blog Letras do Celso Visite:  www.letrasdocelso.blogspot.com