A rede Hirota Food Supermercados está distribuindo uma cartilha a seus clientes com mensagens que condenam gays, o aborto, e o sexo antes ou fora do casamento. “A relação conjugal entre homem e homem e mulher e mulher é antinatural, é um erro, uma paixão infame, uma distorção da criação”, diz um trecho do livreto.

A cartilha traz 31 mensagens que discorrem sobre casamento, relação entre pais e filhos e até dívidas da família. Chamado de “Cada Dia Especial Família de 2017”, os textos foram escritos pelo pastor Hernandes Dias Lopes, da Igreja Presbiteriana, e tiveram tiragem de 10 mil exemplares.

Procurado pelo G1, a rede de supermercados disse, em nota, que “lamenta qualquer transtorno que tenha causado pela distribuição da cartilha da família. Reiteramos que em momento algum tivemos a intenção de polemizar, ofender ou discriminar qualquer forma de amor”.

A rede Hirota Food afirma que em seus valores “não há nenhum tipo de preconceito em relação a gênero, religião ou raça. Atendemos todas as famílias da mesma forma, com a mesma humildade e carinho. Nossas sinceras desculpas a todos”.

Uma das mensagens do texto diz ainda que a mulher deve ser submissa ao marido. “A submissão da esposa a seu marido é sua felicidade e segurança”, escreveu o pastor. O aborto também é citado, e visto como um “crime hediondo”. “É matar um ser indefeso, envenenando-o, esquartejando-o e arrancando-o como uma verruga pestilenta”.

A distribuição das cartilhas provocou a indignação de alguns clientes. No Facebook, uma mulher disse que foi com a noiva ao mercado e recebeu o livreto ao passar no caixa. “Eu tenho muito a dizer diante desse tipo de postura que fere e desrespeita milhares de seres humanos e milhares de famílias que existem”, escreveu na rede social.

A página oficial da rede de mercados na internet faz referências a versículos bíblicos e tem um link para uma revista eletrônica de notícias mantida por um grupo católico.

Cartilha de mercado Hirota traz interpretações de mensagens religiosas (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)

Mercado da Vila Madalena distribuía a cartilha (Foto: Paula Paiva Paulo/G1)