TOCANTINS: Sem energia, noivos se casam no escuro e são indenizados em R$ 33 mil

Casal relembra cerimônia à luz de velas e diz que sonho virou pesado. Empresa de energia alega que problema foi provocado por tempestade.

Um casamento realizado à luz de velas e lanternas levou a empresa de energia do Tocantins, Energisa, a ser condenada pela Justiça a indenizar um casal de noivos em R$ 33,8 mil. No dia da cerimônia faltou energia elétrica no local do evento, em Araguaína, norte do estado. Os noivos se casaram no escuro. A cerimônia que era para ser um sonho, se tornou um pesadelo. “Eu entrei sem música, praticamente no escuro. Algumas pessoas tropeçavam e caíam, a comida estragou. Ninguém pôde usufruir de nada”, relembra a assistente de gestão de pessoas Danielly Costa Soares, 24 anos.

A decisão da Justiça ainda cabe recurso. A Energisa informou que a interrupção no fornecimento de energia, em Araguaína ocorreu em função de uma forte chuva com trovoadas.

Era 20 de dezembro de 2014. Danielly e o noivo, o pedreiro Elizeu de Oliveira Martins, 34 anos, se preparavam para realizar um sonho. Eles tinham oito anos de namoro e passaram meses planejando a cerimônia e economizando dinheiro para a festa.

Pastor precisou de velas e lanternas para ler texto bíblico (Foto: Divulgação)Pastor precisou de velas e lanternas para ler texto bíblico (Foto: Divulgação)

Os dois tinham alugado um clube para se casar. Às 16h do dia tão esperado, o noivo recebeu uma ligação. “Me falaram que tinha acabado a energia elétrica no clube. Liguei várias vezes para a empresa de energia. Tentamos de tudo, mas nada foi resolvido”.

Enquanto Elizeu corria contra o tempo para encontrar uma solução para o problema, Danielly se arrumava no salão. “Ninguém me falou o que estava acontecendo, não queriam me deixar preocupada. Até então eu não sabia de nada. Só percebi, quando estava na porta do clube. Eu via os carros voltando e ficava desesperada”.

A cerimônia estava marcada para às 19h30. Até esse horário, a luz ainda não tinha sido religada. Então, a irmã da noiva teve a ideia de comprar velas para que o casamento acontecesse.

A cerimônia começou com mais de duas horas de atraso, às 22h. “Eu entrei sem música, sob a luz de velas e de lanterna. Também ligaram os faróis dos carros para ajudar. Não pudemos usufruir de nada. Ainda não pegamos nosso álbum de fotografia. Não temos vontade”, argumenta Danielly.

Danielly diz que prefere esquecer a cerimônia de casamento (Foto: Divulgação)Danielly diz que prefere esquecer a cerimônia de casamento (Foto: Divulgação)

Sem microfone, o celebrante precisou usar apenas a voz e se esforçar para ser ouvido. Além disso, contou com a lanterna para ler o texto bíblico. A cerimônia era para ter uma duração de duas horas, mas não durou nem 30 minutos. O noivo chegou a passar mal.

“Vi aquela situação e comecei a ter aperto no peito, fiquei fraco. Passei mal e tiveram que me dar água com açúcar. Queria sair de lá e esquecer. Foram os 30 minutos mais longos da minha vida. Usamos o dinheiro de reformar a casa para fazer a festa”, relata Elizeu.

Durante a cerimônia, várias pessoas tropeçaram e caíram. Vasos de vidro, usados na decoração, foram derrubados. O casal precisou ressarcir os danos.

“Estávamos planejando ficar toda a madrugada com nossos amigos, comendo churrasco e cantando músicas, mas as pessoas não ficaram na festa. Tivemos prejuízo, muita comida foi jogada fora”, argumenta o pedreiro.

oiva relembra que entrou no casamento sob a luz de velas e lanternas (Foto: Divulgação)Noiva relembra que entrou no casamento sob a luz de velas e lanternas (Foto: Divulgação)

Decisão judicial
Após o casamento, os noivos decidiram entrar na Justiça e pediram a reparação dos prejuízos que eles sofreram. A decisão foi favorável. No documento, a Energisa alegou que a queda na energia foi causada por uma chuva forte, mas a juíza Adalgiza Viana rebateu.

“A simples ocorrência de chuvas não afasta o dever de a requerida [Energisa] tomar providências aptas e rápidas para solucionar a ocorrência, pois a energia elétrica se trata de um serviço publico essencial, que deve ser prestado de forma contínua”.

A juíza fixou o valor dos danos materiais em R$ 30,8 mil e os danos morais em R$ 3 mil. Para o casal, a indenização é pequena se comparada aos transtornos que a falta de energia provocou.

“Estamos analisando juntamente com nossa advogada sobre quais atitudes tomar. A gente tenta sorrir, brincar, mas no fundo é uma brincadeira sem graça. Quando as pessoas se casam, têm orgulho de postar fotos nas redes sociais. Nós não postamos nada. Ficamos uns três dias aéreos. Foi uma decepção, mas hoje a gente vive feliz”, finalizou Elizeu.