Venezuelanos protestam por falta de pernil na ceia

Maduro culpou Portugal por não ter conseguido cumprir sua promessa de presentear a população com a carne

Os venezuelanos protestaram nesta quinta-feira por não terem recebido as cestas contendo pernil e outros alimentos para as ceias de fim de ano prometidas pelo ditador Nicolás Maduro.

O pernil de porco é tradicionalmente consumido na Venezuela no Natal e no Ano-Novo, porém, em meio à crise econômica e ao desabastecimento generalizado, o alimento se tornou raro nos mercados do país.

Nas redes sociais, o episódio foi apelidado de “Revolta do pernil“.

Os protestos aconteceram nos bairros de Antímano e La Vega, zona oeste de Caracas, e foram monitorados pela Guarda Nacional.

Outras manifestações menores foram registradas nos últimos dias em Caracas e outras cidades pela ausência da carne de porco prometida pelo governo para as festas natalinas, que seria fornecida através de um sistema de venda a preços subsidiados em áreas populares.

No dia 25 deste mês, a falta de alimentos e a insatisfação geral da população com o regime de Maduro causou uma onda de saques em Ciudad Bolivar, no sul do país.

Maduro culpou Portugal por não ter conseguido cumprir sua promessa de presentear os venezuelanos com pernil, argumentando que o país teria falhado em entregar os carregamentos comprados.

“Fomos sabotados. Por um país em particular, Portugal. Porque nós compramos todo o pernil que havia na Venezuela, mas precisávamos de comprar fora para preencher todas as necessidades e sabotaram-nos a compra do pernil”, disse Nicolás Maduro, segundo o jornal venezuelano El Nacional.

“Perseguiram nossas contas bancárias, perseguiram os dois barcos gigantes que vinham”, acrescentou.

O número dois do chavismo, o deputado da Assembleia Nacional Constituinte Diosdado Cabello, disse em seu programa na emissora de televisão estatal que “os portugueses se comprometeram [a entregar], foram assustados pelos gringos e não enviaram os pernis”.

O ministro de negócios estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, respondeu às acusações de Maduro em entrevista à rádio portuguesa TRF na manhã desta quinta.

“O governo português não tem, seguramente, esse poder de sabotar pernil de porco”, garantiu. “Nós vivemos numa economia de mercado. As exportações competem às empresas.”

Silva afirmou que irá consultar a embaixada portuguesa na Venezuela sobre o caso.

Segundo o português O Observador, a Raporal, uma das empresas contratadas para fornecer os pernis, informou em um comunicado que o carregamento de pernil não foi entregue porque a Venezuela não pagou pontualmente entregas feitas em 2016.

O comunicado da empresa aponta que a dívida é de 40 milhões de euros (cerca de 158 milhões de reais) e que o embaixador venezuelano em Portugal afirmou que o pagamento será regularizado até março de 2018.